Crítica de Livro | Dona Flor e seus dois maridos

Olá meu bom leitor.

Hoje fiz a crítica do livro Dona Flor e Seus Dois Maridos do incomparável Jorge Amado.

Antes de qualquer outra coisa, gostaria de dar a dica para aqueles que nunca leram nada dele: iniciem por este livro, ele mostra toda a técnica, métrica, ritmo e estilo do Jorge Amado em único volume. É sensacional.

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Um resumo básico da história é que Dona Flor é filha de uma falida que sonha em ver suas duas filhas casadas com bons partidos que tire-as da pobreza dando uma vida boa de aparência. A filha mais velha se casa com um mecânico, nada de anormal, mas Flor primeiro se casa com o “doutor” Valdomiro que a engana se passando por um bom partido, na verdade o Dr. Valdomiro é Vadinho um sem eira nem beira que é chegado a passar as noites em claro na jogatina acompanhado pelas damas da noite. Ele morre em pleno domingo de carnaval e após Dona Flor pagar seu luto acaba conhecendo o sistemático e bem de vida farmacêutico Teodoro que faz sexo com ela somente aos sábados. Saudosa das noites quentes e desavergonhadas que tinha com Vadinho acaba indo a um culto de candomblé para tentar se comunicar com o falecido, o que ela não esperava é que o espirito do libertino não a largasse.

Apenas com esse parágrafo você consegue compreender a profundidade do texto, e digo isso porque a história não é permeada apenas pelos romances em que Dona Flor se mete, mas sim por um retrato da comunidade baiana há época do autor. Rosilda a mãe de Flor representa toda a classe pobre que sonha com a ascensão a classe rica de maneira fácil e sem trabalho, Vadinho é o retrato fiel da boemia baiana (que sá do Brasil) que não se preocupa com a vida, apenas com a vadiação. Temos também Teodoro que é o Brasileiro sério que de tão sério se torna sistemático e previsível que só pensa no trabalho, e por aí vai.

Todos os personagens interagem de uma forma tão uniforme e inconstante que é até complicado parar para analisar como o Jorge Amado conseguiu tal proeza, esta obra é simplesmente única e por mais que tenha tido as várias adaptações para a televisão e cinema, ela nunca será retratada da forma de como ela realmente ela é. O livro vai muito além do fato de Dona Flor ver o espirito do finado Vadinho andando pelado a atiçando e tentando se comportar naturalmente na frente do correto Teodoro, este livro se aprofunda com os personagens e o subúrbio de Salvador mostrando do que realmente é feita a terra de todos os santos.

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Não vá esperando encontrar uma leitura fácil, Jorge Amado é inconstante, um capítulo trata sobre um acontecimento, o seguinte começa de uma maneira totalmente torpe e vai de um ponto a outro da história e no meio disso tudo ele lança pensamentos e opiniões dele que só deixam o texto em si muito mais completo.

Você deve ter reparado que eu não foquei na técnica utilizada como faço de costume, e sabe por que? Por que Jorge Amado deve ser comentado e lido, sem mais, leia sem se importar e compreenda o porque ele é uma referência da nossa literatura e de como nosso país é uma potência literária. Leia sem medo 😉

Livro: Dona Flor e Seus Dois Maridos                        Autor: Jorge Amado

Páginas: 488                                                                     Editora: Companhia das Letras

Capa: 8,00

Continuidade: 9,00

Personagens: 10,00

Cenários: 10,00                                                               Nota Final: 9,31

História: 9,50

Narrativa: 10,00

Diálogos: 9,00

Revisão: 9,00

Tenha um ótimo ponto para ler!

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3 Comentários

  1. Oi, ótima resenha/crítica do livro. Tenho planos de futuramente colocar em minhas leituras, pelo menos 1 clássico literário por mês e este me pareceu uma boa opção, graças a sua resenha.

  2. Puhts… Me esclareceu muito, tive que fazer uma resenha, também crítica, sobre o livro.
    Sl, vale a pena ler seus textos, descontraídos e simples, palmas…

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