Crítica de Livro | Admirável Mundo Novo

Esse ano eu estou a rainha dos Clubes de Leitura, tô impressionada! Digo isso porque li Admirável Mundo Novo para o Grupo #NomeProvisório. Já falei que estava participando dele nesse post, mas esse foi o primeiro livro que li e foi uma leitura sensacional. Todo mundo que já leu fala super bem desse livro e todos tem muita razão porque, minha nossa, Aldous Huxley nos dá MUITO o que pensar a cada diálogo.

Esse livro foi publicado originalmente em 1932, isso mesmo, apesar de tratar de assuntos tão atuais e falar de uma sociedade com costumes que lembram bastante o que vivemos nos dias de hoje, essa preciosidade foi escrita quando ainda não havia o menor sinal da tecnologia que conhecemos hoje.

O resultado é uma obra prima que nos faz pensar até mesmo sem querer. O livro se passa numa sociedade cuja tecnologia é a amiga número um, os bebês não nascem mais através do método tradicional. Para os homens e mulheres dessa época a simples menção a palavra mãe parece um palavrão que causa desconforto a todos que estão em volta. O motivo disso tudo é muito simples, a tecnologia evoluiu e eles podem manipular as fases embrionárias em Centros de Incubação.

São dez centros espalhados pelo mundo, mas aqui você conhece a rotina do centro de Londres e toma conhecimento de todo o processo de gestação in vitro do bebê através de uma visita que o Diretor de Incubação e Condicionamento está fazendo com os novos Alfas. Os Alfas são o topo da pirâmide dessa sociedade. São eles que são condicionados desde o nascimento a assumir cargos de chefia e tem as capacidades mentais a pleno vapor.

Além deles, a sociedade é composta por Betas, Gamas, Deltas e Ípsilons. Os Ípsilons são a escória da humanidade, através de processos químicos ainda durante a “gestação” eles tem pouca capacidade mental e, muitas vezes, podem ser até anões ou possuir outras imperfeições genéticas que não são aceitas nas outras castas. Eles fazem o trabalho mais sujo de limpeza e de força bruta que não exigem muito intelectualmente da pessoa.

Os Deltas trabalham nas fábricas com produção em série e, na maioria das vezes, são formados por grandes grupos Bokanovski. Esses grupos são chamados assim porque, devido a um processo realizado após a fecundação, um óvulo pode gerar mais de noventa bebês. Esses bebês, por serem gerados a partir do mesmo material genético, são todos gêmeos idênticos. Imagina o choque que deve ser ver essa quantidade de adultos iguais saindo de uma fábrica ao mesmo tempo. Ui!

Os Gamas e Betas ocupam mais ou menos os mesmos papéis, mas a diferença é que os betas não sofrem a Bokanovskização, enquanto os Gamas sofrem. Os processos químicos de cada um antes da decantação (nascimento) é diferente também, pois os betas são preparados para atuar por conta própria e chegar até a chefia de alguns setores que não demandem a capacidade de um Alfa.

A divisão em castas também é feita por cores, Alfas usam cinza, Betas usam amora, Gamas vestem verde, Deltas vestem cáqui e os Ípsilons usam preto. Acho que a cor não é completamente obrigatória, pois Lenina, uma Beta, usa verde garrafa constantemente. Como vocês podem ver é uma sociedade complexa e cada um tem seu papel.

Os lugares nas castas não são hereditários porque, como eu falei lá em cima, todos os bebês são concebidos por inseminação artificial. O mais curioso é que, apesar disso, as relações sexuais são muito estimuladas. Desde a infância, eles aprendem a fazer brincadeiras eróticas e isso é muito normal para eles. No entanto, há um enorme aparato contraceptivo para que as mulheres que não são neutras não gerem filhos.

Os relacionamentos também não são como os que conhecemos hoje, não há namoro ou casamento, pois cada um pertence a todos. Essa poligamia é uma das bases da sociedade, pois a ideia é que não haja laços afetivos. Eles tiraram a figura da mãe, a ideia de família e também o afeto gerado pelos relacionamentos entre círculos sociais, mas existe o Soma.

O Soma funciona como uma pílula da alegria e todos devem tomá-lo diariamente para flutuar e se divertir após os momentos de trabalho. O Soma é outra base dessa sociedade, mas faz parte da diversão descobrir seu funcionamento e tudo o que ele representa então não vou dar mais detalhes.

Uma coisa que gostei muito foi o cuidado do autor ao descrever sua sociedade, você conhece o Diretor logo na primeira página, mas os outros personagens vão aparecendo aos poucos. A função do diretor durante a visita do grupo de alfas é explicar a característica de cada casta, o que é feito para que eles sejam diferenciados durante a gestação e o que é feito com cada bebê, criança e adolescente após a decantação.

É sensacional como ele trabalha esses elementos e aos poucos vai trazendo mais pessoas para essa mistura, como cada um adiciona mais uma pecinha para você entender como tudo funciona até que chegamos a Bernard Marx, um psicólogo especializado em hipnopedia.  A partir daí você entra em uma trama que já te envolveu desde a apresentação e você vai ter surpresas o tempo todo.

Nenhuma das possibilidades que eu imaginei aconteceram e, por isso, a experiência de leitura foi surreal. O Paulo costuma dizer que é como se sua cabeça explodisse e é exatamente isso. Terminei a última página chocada com o que acontece e embasbacada com tanto brilhantismo. Tentei explicar o máximo que podia sem tirar o gosto das descobertas e quero muito saber o que você achou da leitura, se já tiver lido, ou o que espera encontrar, caso ainda não tenha lido.

Sinopse

A terra se divide em dez grandes regiões administrativas. A população de dois bilhões de seres humanos é formada por castas com traços distintivos manipulados pela engenharia genética: nos laboratórios são definidos os pouco dotados, destinados aos rigores do trabalho braçal, e também os que crescem para comandar. Não há espaço para surpresa, para o imprevisto. O slogan “comunidade, identidade e estabilidade” sustenta a trama do tecido social. Estamos no ano 632 depois de Ford – aquele da linha de produção de automóveis – quando o amor é proibido e o sexo, estimulado.

Livro: Admirável Mundo Novo

Autor: Aldous Huxley

Editora: Biblioteca Azul

Páginas: 314

Capa: 9,50

Continuidade: 10,00

Personagens: 10,00

Cenários: 10,00

História: 10,00

Narrativa: 10,00

Diálogos: 10,00

Revisão: 10,00

Nota Final: 9,93

Resultado: Muito Bom

Sigo arrebatada e considero que foi minha melhor leitura, pelo menos, dos últimos dois anos.

Até a próxima!

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