Crítica de Livro | Capitães da Areia

Olá, leitores!

Antes de mais nada preciso dizer que estou sofrendo, tô me sentindo orfã sem meus capitães, o Padre e a sombra de Lampião. Essa foi a primeira vez que li Jorge Amado e estou completamente apaixonada, já quero ler Tieta, Gabriela, Dona Flor e taaantas outras obras que esse gênio da literatura brasileira criou.

Capitães da Areia se passa em Salvador e conta a história de um grupo de meninos órfãos que andam pela cidade cometendo furtos para sobreviver. O grupo é chefiado por Pedro Bala, um menino que chegou as ruas com 5 anos de idade e conhecia cada viela, cada pedaço de pedra da terra onde vivia. Não foi ele quem criou o grupo, mas sua inteligência fez com que os Capitães da Areia fossem conhecidos e temidos por toda a Bahia.

O que mais me deixou impressionada com o livro foi o carinho que Jorge Amado teve com seus personagens, ele teve a preocupação de apresentar e contextualizar a importância de cada um. Ele faz você entender o que levou cada um deles a entrar no grupo e faz com que você perceba a humanidade que existe dentro de cada um deles.

O livro foi publicado pela primeira vez em 1937 e tinha como pano de fundo uma crítica social ferrenha a forma como essas crianças eram tratadas na época. Eles eram orfãos que foram marginalizados pela sociedade, ninguém se preocupava em entender os motivos que os levaram para as ruas e nem porque eles evitavam ao máximo a ida a reformatórios e orfanatos. A população se fazia de cega e eles continuavam carentes de afeto. Apesar de um ou outro ser dominado pelo ódio quase que o tempo inteiro, como era o caso de Volta Seca e Sem Pernas, a maioria deles estava tentando suprir a falta de carinho de pai e mãe.

O mais interessante é a forma como ele retrata a falta de opção dos Capitães, em alguns momentos eu senti que queria levar alguns deles para cuidar de tão carentes que eles eram. É muito legal perceber que conforme vão crescendo alguns vão conseguindo mudar de vida, mas ao mesmo tempo é triste ver que a maioria deles não vai conseguir sair das ruas e da criminalidade por falta de oportunidade. Porque ninguém se importa o suficiente para estender a mão e dar uma chance aos garotos que nunca tiveram nada na vida, depois que perderam os pais.

É grotesco pensar em como uma obra publicada nos anos 30 pode permanecer tão atual. Como apesar de toda a tecnologia e todas as mudanças pelas quais passamos, tanta coisa ainda permanece igual. Quando viajei para o Rio  durante o Reveillon pude perceber que os Capitães da Areia que ainda existem pelas ruas brasileiras (apesar de eu achar que muitos ali tem opção e faziam arrastões só pela zoeira).

Ler Jorge Amado para mim foi uma experiência muito boa, a carga social que está presente no livro é enorme e você chega a se perguntar se ele não estava prevendo o futuro. Eu sou muito apegada a personagens, gosto de conhecer a vida deles e saber porque eles fazem determinadas escolhas ao longo da jornada deles durante o livro. Jorge dá atenção para cada um deles de um jeito que não vemos com frequência hoje em dia, cada vez que leio um livro fico com a impressão de que alguns personagens são incompletos e você não consegue captar as motivações deles, mas aqui não, ele carrega cada um deles no colo e entra dentro do coração deles para mostrar o que os angustia e o que os alegra.

Tô apaixonada, tô apegada, quero mais e acho que vou ler o livro de novo em breve porque agora eu é que estou me sentindo órfã sem os meus capitães. Claro que isso aqui foi mais uma babação de ovo do que uma crítica, mas gente, não tem como negar é muita maestria, esse é o tipo de livro que você só se curva para o que foi escrito e deixa o autor te levar. Não tem o que criticar, minha primeira experiência com Jorge Amado foi bonita, intensa e verdadeira Hahahaha

Talvez eu não tivesse essa percepção se tivesse lido o livro há 10 anos quando eu estava no ensino médio, mas depois de ler tantas histórias superficiais mergulhar de cabeça no mundo baiano foi sensacional, pelo menos para mim. Não sei se todo mundo que leu, teve a mesma sensação que eu, mas quando li o posfácio escrito pelo Milton Hatoum senti que tivemos a mesma identificação pelos Capitães.

Estou de joelhos por Jorge Amado, estou amando, estou em êxtase. Se alguém leu o livro e se sentiu assim, compartilha aqui com a gente! Se não sentiu tudo isso e achou a história ruim, compartilha também, a gente gosta de conhecer opiniões diferentes, mas se você ainda não leu, corre! Você está perdendo uma obra prima, que tem que ser lida e relida para que se possa compreender cada detalhe presente nela. Depois me diz se você sofreu como eu, se sentiu vontade de não terminar como eu, se quis pegar todos no colo como eu #sofrência

**

Você já sabe que se quiser comprar essa preciosidade e de quebra ajudar o blog a crescer é só usar os nosso links, né?!

Capitães da Areia na Amazon

**

Sinopse

Desde o seu lançamento, em 1937, Capitães da Areia causou escândalo: inúmeros exemplares do livro foram queimados em praça pública, por determinação do Estado Novo. Ao longo de sete décadas a narrativa não perdeu viço nem atualidade, pelo contrário: a vida urbana dos meninos pobres e infratores ganhou contornos trágicos e urgentes. Várias gerações de brasileiros sofreram o impacto e a sedução desses meninos que moram num trapiche abandonado no areal do cais de Salvador, vivendo à margem das convenções sociais. Verdadeiro romance de formação, o livro nos torna íntimos de suas pequenas criaturas, cada uma delas com suas carências e suas ambições: do líder Pedro Bala ao religioso Pirulito, do ressentido e cruel Sem-Pernas ao aprendiz de cafetão Gato, do sensato Professor ao rústico sertanejo Volta Seca. Com a força envolvente da sua prosa, Jorge Amado nos aproxima desses garotos e nos contagia com seu intenso desejo de liberdade.

Livro: Capitães da Areia                      Autor: Jorge Amado

Páginas: 280                                                            Editora: Companhia das Letras

Capa: 9,00

Continuidade: 10,00

Personagens: 10,00

Cenários: 10,00                                                Nota Final: 9,68

História: 9,50                                                 Resultado: Muito Bom

Narrativa: 9,50

Diálogos: 10,00

Revisão: 9,50

Até a próxima!

Espero que tenham gostado, até a próxima!

Você irá gostar de ler também:

2 Comentários

  1. Nossa, vc descreveu o q eu senti! Faz dois dias que terminei de ler e ainda estou sentindo falta daquelas crianças … tão carentes… tão marginalizadas… tão desprovidas de qq perspectiva… Jorge Amado foi de uma sensibilidade ímpar, capaz de pôr o dedo na ferida e assoprar ao mesmo tempo… Entretanto, o que mais me entristece e indigna é a verdade dessa obra e a sua atualidade … como podemos viver em mundo onde as crianças são tratadas de forma tão desumana e hostil!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *