Crítica de Livro | Ninguém Escreve ao Coronel

Olá, leitores!

Segunda foi aniversário de um grande escritor colombiano, Gabriel García Marquez, Gabo para os íntimos. Ele faleceu em 2014 deixando um enorme buraco na Literatura mundial, mas suas obras permaneceram e poderemos lembrá-lo a cada leitura.

Por conta dessa data importante resolvi prestar uma pequena homenagem a ele fazendo uma crítica sobre o primeiro (e único) livro que li dele. Na verdade vai ser mais um bate papo saudosista.

Esse livro chegou a mim pelas mãos de uma amiga do trabalho, o empréstimo era para o Paulo, mas como ela já havia emprestado alguns dos livros do Gabo e ele amou principalmente o Cem Anos de Solidão, achei que aquele conto menor seria uma boa entrada no mundo Gabiano.

O livro é uma novela com pouco menos de 100 páginas e eu estava extremamente curiosa porque o pouco que o Paulo tinha me contado de Cem Anos de Solidão e Crônica de Uma Morte Anunciada já tinha me deixado com muita vontade de conhecer a escrita desse Nobel da Literatura.

Li o livro em uma sentada, porque a leitura flui de uma forma que eu não imaginava que aconteceria com a história da rotina de um senhor de 75 anos. A trama gira em torno de dois meses da vida do Coronel, você sabe que ele está a espera de uma carta, tem problemas financeiros, uma mulher que tem constantes crises de asma e sente a ausência de um filho que foi morto por distribuir panfletos contrários ao governo.

Você entra na cabeça desse senhor e a forma como ele me prendeu me deixou com a necessidade de saber se ele receberia a tal carta, que ele já esperava há anos, e se contornaria a situação complicada que ele e a esposa estavam vivendo. Como é típico das novelas você acompanha os acontecimentos apenas pelo ponto de vista do protagonista, mas a forma como Gabo foi acrescentando os personagens me deu a impressão de que ele estava construindo um mosaico onde cada pecinha era importante para que você pudesse entender o todo.

Acho que fiz uma boa escolha ao começar por esse livro, pois ele é super fácil de ler, a história é muito simples e conseguiu me prender do início ao fim. É como se fosse um relato da vida cotidiana, não tem o toque de realismo mágico que o tornou tão conhecido com outros títulos e nem o mesmo brilhantismo, mas funciona muito bem como porta de entrada para te adaptar a escrita dele sem o choque de logo de cara se deparar com Macondo e uma árvore genealógica com nomes que se repetem por gerações.

O Gabo que você vai ler em Ninguém Escreve ao Coronel está começando é alguns anos mais novo que o de Cem Anos de Solidão, mas ele já mostra a que veio. Vinte anos depois ele publica Crônica de Uma Morte Anunciada, que também é curto, mas já vem na fase pós Macondo e possui uma identidade bem diferente do texto do Coronel. A indecisão com o galo de briga, a forma crua de pensamento daquele senhor de 75 anos, é poesia pura e dá um gostinho do que Gabriel viria a ser.

Li, me apaixonei e não vejo a hora de pegar um novo livro dele para conhecer mais facetas desse gênio da literatura. Temos Memórias de Minhas Putas Tristes lá em casa, acho que ele pode ser um bom segundo livro para dar continuidade aos meus encontros com Gabo… Dou notícias assim que tiver lido algo dele!

Sinopse

Enquanto espera o pagamento de sua aposentadoria pelo correio, um coronel reformado luta para sobreviver em uma cidadezinha hostil. Ao seu lado, apenas a mulher asmática e um galo de briga que pertencia a seu falecido filho. A correspondência sempre chega uma vez por semana, às sextas-feiras, mas a aposentadoria não, perdida nos trâmites burocráticos. “Ninguém escreve ao coronel”, diz com desdém o carteiro. Uma trama simples, mas repleta de ironia e comentários sutis sobre a história e a política de seu país.

Livro: Ninguém Escreve ao Coronel

Autor: Gabriel García Marquez

Editora: Record

Páginas: 96

Capa: 8,50

Continuidade: 10,00

Personagens: 10,00

Cenários: 9,00

História: 9,50

Narrativa: 10,00

Diálogos: 10,00

Revisão: 9,50

Nota Final: 9,56

Resultado: Muito Bom

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2 Comentários

    1. Oi Vânia! Que bom que gostou! Eu gostei muito de conhecer o Coronel e acho que você não vai se arrepender. Eu quero MUITO ler Cem Anos de Solidão, mas decidi que vou fazer um caminho pelas obras dele e deixá-lo por último. Antes dele quero ler O Amor nos Tempos do Cólera também. Não vejo a hora!
      Beijos!

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