Crítica de Livro | O Lado Bom da Vida

Tive que pensar um pouco antes de decidir como escrever essa crítica porque não consegui definir de imediato uma forma de separar o livro do filme, por isso decidi não separar. Vou falando dos dois, mas não se esqueçam que o objetivo principal é o livro, tudo bem?

Então vamos lá, a crítica de hoje é sobre o livro O lado bom da vida de Matthew Quick. Ele foi adaptado para o cinema e o filme homônimo foi estrelado por Jennifer Lawrence e Bradley Cooper, virou campeão de bilheteria e venceu o Oscar do ano passado. Apesar do sucesso estrondoso nas telinhas o livro não parece ter feito a cabeça de muita gente e talvez a culpa seja do próprio filme.

O livro é curto e a história te prende porque você sente aquela necessidade absurda de saber exatamente o que levou o Pat a ser internado em uma clínica psiquiátrica. Você se envolve tanto com os dramas internos dele que não consegue deixar o livro para lá sem saber se ele vai de fato conseguir reconquistar a Nikki. E você também vai ficar envolvido pela loucurinha e dramas da Tiffany.

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As semelhanças entre o filme e o livro, por incrível que pareça, acabam aí.

Várias personalidades foram modificadas para tornar o filme mais tragável e confesso que ficaram muito boas, mas como o que interessa aqui para nós é o livro preciso falar sobre as diferenças. Primeiro, o pai do Pat não é legal, ele é um babaca e dos grandes. Não faz a menor questão de receber bem o filho, não se esforça para ajudá-lo a superar seus traumas e deixa que seu humor seja definido pelos jogos dos Eagles.

E por falar nisso, você vai acompanhar de perto a liga de futebol americano, porque todos os homens do livro são fanáticos e fazem questão de assistir cada jogo. A dancinha dos Eagles é um capítulo a parte e só lendo você vai entender como é engraçada e vai se perguntar porque o filme deixa esse ritual de lado.

O irmão do Pat também foi alterado no filme e dessa vez ele modificaram a personalidade e a forma física. Apesar de não morar na mesma casa ele faz de tudo para ajudar o irmão e inclusive esconde um fato que aconteceu enquanto ele estava internado para tentar protegê-lo e não confundir ainda mais a cabeça dele.

Mais uma alteração acontece com o Dr. Patel, a proximidade dos dois no livro é muito maior e ele é peça bastante importante para o envolvimento dele com a Tiffany. Ele é super profissional e apesar de não ser muito ortodoxo faz questão de colocar algumas dúvidas na cabeça de Pat como forma de guiá-lo para que ele descubra sozinho o que aconteceu antes da internação.

A mãe de Pat é um capítulo a parte, desde a primeira página você percebe a ansiedade dela e a necessidade que ela tem de manter a sanidade do filho que ela sabe que não precisa de internação. Parece que ela é a única que acredita na recuperação dele e faz de tudo para que ele se sinta bem na própria casa.

Como toda mãe ela é pega de surpresa por algumas ações do filho e fica dilacerada com os desentendimentos entre ele e o pai.

Eu costumo dizer que os roteiristas do filme conseguiram fazer um milagre porque a maior parte do livro se passa dentro da cabeça do Pat. O autor foca nos conflitos internos que ele tem e a impressão que você tem é que todos os pensamentos dele tem somente uma direção: Nikki. O fato de ele achar que ficou internado pouco tempo e não se lembrar do que aconteceu é bem inquietante porque você percebe que o cérebro dele criou um mecanismo para protegê-lo do sofrimento. Você percebe que o Kenny G desperta o que tem de mais violento e no fim você vai entender o motivo.

O mais legal é que se você prestar bastante atenção, Pat está te dando lições de vida o tempo todo e a principal delas é a de que as vezes o que importa é ser gentil e não mostrar que está certo. Ele exercita isso muitas vezes com a mãe e me fez pensar que a vida poderia ser bem mais leve se deixássemos de discutir coisas banais por cortesia. Não custa nada ser gentil para variar um pouco.

Livro e filme são coisas bem diferentes, mas as modificações se encaixaram bem na telona e são justificáveis, mas vale muito a pena ler o livro e conhecer o Pat de verdade. Aquele que você não teve a oportunidade de conhecer com o Bradley Cooper, o Pat que só o Matthew Quick vai poder te apresentar.

Minha nota para o livro é por sentimento, não faço a mesma análise do Paulo, mas uso a mesma lógica de ser bom, péssimo, etc. Nesse caso posso dizer que o resultado final da adaptação cinematográfica ficou melhor que o livro, mas acho que algumas coisas do livro são importantes e fazem diferença na história, por isso:

Nota: 7,6

Sinopse

Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos, acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Convencido de que passou apenas alguns meses naquele “lugar ruim”, Pat não se lembra do que o fez ir para lá. O que sabe é que Nikki, sua esposa, quis que ficassem um “tempo separados”.

Tentando recompor o quebra-cabeças de sua memória, agora repleta de lapsos, ele ainda precisa enfrentar uma realidade que não parece muito promissora.

Com seu pai se recusando a falar com ele, a esposa negando-se a revê-lo e os amigos evitando comentar o que aconteceu antes da internação, Pat, agora viciado em exercícios físicos, está determinado a reorganizar as coisas e reconquistar sua mulher, porque acredita em finais felizes e no lado bom da vida.

Espero que gostem!

Ana.

Ps.: Também me aventuro escrevendo em um blog chamado Observatório de Política, como o próprio nome já diz o tema principal é política e se você quiser conhecer um outro lado meu basta passar por lá e ler os pitacos que dou. O link está AQUI e na página de parceiros.

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