Crítica de Livro | Orgulho e Preconceito

Essa crítica tem um gostinho especial porque foi a primeira vez que li um livro da Jane Austen. Eu já conhecia a história pelo filme, aquele estrelado por Keira Knightley, mas tirando isso nunca tive nenhum contato com a escrita da autora. E todas as vezes que eu conversava com algumas amigas alucinadas por ela, elas só diziam que é muito bom e eu precisava ler.

Eu fiz essa leitura porque estou no Clube de Leitura Um Ano com Austen, criado pela Jess do blog Leitora Sempre. As pessoas são bem ativas e super amantes da Jane, se você se encaixa nesse grupo ou, como eu, ainda não leu e se interessa pela obra da autora, entre no grupo sem medo de ser feliz. Já estamos na segunda leitura do ano, mas ainda dá tempo de acompanhar.

Quando comecei a leitura já sabia que ia encontrar muitas críticas a sociedade do século XVIII, mas eu não imaginava que a primeira frase do primeiro capítulo já ia deixar isso tão na cara:

“É  verdade universalmente reconhecida que um homem solteiro em posse de boa fortuna deve estar necessitado de esposa.

Por menos conhecidos que possam ser os sentimentos ou pontos de vista de tal homem em seus primeiros contatos com um novo ambiente, essa verdade está tão enraizada nas mentes das famílias vizinhas que o recém chegado é considerado propriedade de direito das moças do lugar.”

Ela já dá esse recado logo no início e segue assim até o final do livro não só com a questão do casamento, mas com comportamento familiar, falhas de caráter e muitas outras coisas. Eu já tinha assistido o filme e tinha achado a história meio sem pé e nem cabeça, mas o livro me fisgou. Gostei muito da escrita e da forma como ela conduziu a história.

Nunca li nenhum livro com o estilo de escrita sequer parecido com o que ela usa. É um romance, mas sem descrição ambiental justamente por isso lembra um pouco uma peça por ir direto a fala dos personagens. Entretanto, há presença constante de um narrador observador que dá voz a Jane e transmite toda sua acidez e seus comentários críticos.

A história do livro se passa no interior da Inglaterra no fim do século XVIII/início do século XIX, você vai conhecer a família Bennet, que é composta pelo Sr. Bennet, a Sra. Bennet e suas cinco filhas: Jane, Elizabeth, Mary, Kitty e Lydia. A rotina pacata da região onde eles vivem e perturbada pela chegada do Sr. Bingley e sua família. Automaticamente a cidade fica alvoraçada pela possibilidade de uma das moças locais agarrar o coração do homem e levá-lo ao matrimônio.

Junto com o jovem Sr. Bingley vem suas irmãs, Caroline Bingley e a Sra Hurst, seu amigo, Sr. Darcy e o Sr. Hurst. A família é bem rica e após alguns encontros (vários forçados pela mãe) Jane acaba se apaixonando pelo Sr. Bingley. Na contramão da irmã, Elizabeth nutre uma antipatia sobrenatural pelo Sr. Darcy, que segundo sua análise de caráter é a personificação do orgulho.

Entre bailes e viagens você vai ver um retrato bem interessante da sociedade da época e vai poder conhecer também o Sr. Collins, primo do Sr. Bennet que herdará tudo o que pertence a ele após sua morte. A lei de sucessões da época era bem dura e, como ele não teve filho do sexo masculino, suas filhas não teriam direito a nada. Ainda poderá saber um pouco mais de Charlotte Lucas, amiga de Elizabeth que vive na propriedade vizinha, do Sr. e Sra. Phillips, tios de Elizabeth que moram em Meriton, a cidade mais próxima.

Conhecerá também o Sr. e a Sra. Gardiner, tios de Elizabeth que moram em Londres e sempre passam o natal com a família no campo. E ainda terá a oportunidade de conhecer Lady Catherine, um rolo compressor que acha que todos devem servi-la, curiosamente ela é tia do Sr. Darcy e faria muito gosto de vê-lo casado com sua filha. A personagem mais obtusa que já fui apresentada na vida, com certeza, foi a Sra. Bennet, ela é tão volúvel e tão sem noção que dá até dó de ler em alguns momentos e Lydia, sua filha mais nova, é igualzinha a ela.

Se Darcy é a personificação do orgulho, Lizzie é a representação do preconceito e é interessante ver como os dois evoluem e se transformam ao longo da história. É uma história de amor, mas foi escrita há mais de 200 anos, então a condução da história é muito diferente de tudo que lemos por aí. Em Jane mal há espaço para pegar na mão, mas o desenrolar de cada encontro e os pensamentos de Elizabeth dão um toque bem interessante a trama.

Gostei muito da minha experiência com Jane Austen e já estou pronta para os próximos. A Jess, que me incentiva muito, me deu Persuasão de presente de aniversário e ele faz parte do cronograma do Clube de Leitura. O livro desse mês é Razão e Sensibilidade e assim que eu ler conto para vocês o que achei.

Se você já leu, conta aqui nos comentários o que achou do livro. Esse clássico vai para a minha lista de preferidos, sem dúvidas.

Sinopse

Na Inglaterra do final do século XVIII, as possibilidades de ascensão social eram limitadas para uma mulher sem dote. Elizabeth Bennet, de vinte anos, uma das cinco filhas de um espirituoso, mas imprudente senhor, no entanto, é um novo tipo de heroína, que não precisará de estereótipos femininos para conquistar o nobre Fitzwilliam Darcy e defender suas posições com perfeita lucidez de uma filósofa liberal da província. Lizzy é uma espécie de Cinderela esclarecida, iluminista, protofeminista. Neste livro, Jane Austen faz também uma crítica à futilidade das mulheres na voz dessa admirável heroína — recompensada, ao final, com uma felicidade que não lhe parecia possível na classe em que nasceu.

Livro: Orgulho e Preconceito

Autora: Jane Austen

Editora: L&PM

Páginas: 400

Capa: 9,00

Continuidade: 10,00

Personagens: 10,00

Cenários: 9,00

História: 9,50

Narrativa: 10,0

Diálogos: 10,00

Revisão: 9,50

Nota Final: 9,62

Resultado: Muito Bom

Até a próxima!

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6 Comentários

  1. Olha meus olhinhos depois de ler essa resenha *-*
    Sou muito fã da Jane desde a adolescência e na minha época mais rebelde, me sentia como a propria Lizzie contra a sociedade hahahahaha. Orgulho e Preconceito me marcou particularmente!
    Amei a forma como vc descreveu a linguagem dela. É realmente tudo muito direto e é isso que deixa ainda mais único!
    Enfim, post mega lindooo!!!! Parabéns!!!! <3

    1. Oi Dayanne!
      Que bom que você gostou! Cada dia que passa eu fico mais impressionada com a quantidade de amantes que a Jane Austen movimenta. As vezes uma pessoa que você nem imagina é enlouquecida pelos livros dela e dá para conversar horas sobre isso. Tô muito feliz que você tenha gostado do que escrevi, espero poder ler Razão e Sensibilidade logo para poder compartilhar meus sentimentos.
      Beijos!

    1. Oi Thami!
      Sabe que eu nem gostei tanto assim do filme? Eu vi uma vez antes de ler e não mexeu comigo e depois que li, minha nossa, eles nem mostram personagens que fazem algumas coisas terem sentido dentro dos livros… Eu quero reler daqui uns anos para ver como será a leitura. Eu ganhei persuasão de aniversário \o/
      Acho que vamos ler em junho no clube que estou participando. Estou animada!!
      Beijos!

  2. Ah, estava procurando uma caixa de texto para escrever umas verdades! Parabéns pelo seu trabalho, é muito complicado fazer uma crítica que seja neutra e realmente eficaz, faz isso muito bem. Espero que continue a postar mais e mais. Uma dica : obras de Neil Gaiman. Daqui uns anos pretendo publicar um livro de mitologia ( que eu mesmo criei) e quero saber sua opinião!

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