Crítica de Livro | O Diário de Anne Frank

Eu poderia supor que todos conhecem a história de Anne Frank, mas vou explicar o que é o livro porque ninguém é obrigado, né?! Hahaha

O livro é o diário de uma garotinha judia que vive na Holanda em 1943. Quando Anne começa a escrever o diário você percebe que ela é parte de uma família que não é riquíssima, mas dá boas condições de vida a ela e sua irmã Margot. Pelo ano em que ela começa a escrever, você deve saber que eles estão no meio da Segunda Guerra Mundial e que essa não foi uma época boa para os judeus.

AnneExatamente por isso, pouco tempo depois a família de Anne recebe uma convocação para o campo de trabalhos forçados e isso os leva a executar um plano que vinha sendo elaborado há algum tempo pelos pais dela. Para evitar a ida da filha mais velha para esse local, eles optam por entrar na clandestinidade e se esconder de tudo e todos em um local que é chamado por Anne de Anexo.

Além dos quatro Frank, escondem-se nesse local mais uma família e um homem. O foco principal do diário são os sentimentos de Anne com relação as pessoas e aos acontecimentos, mas aos poucos ela vai dando vislumbres do que é a vida no Anexo. O diário foi escrito ao longo de dois anos, e o mais interessante é ver como ela vai amadurecendo durante esse período.

Ela passa de menina mimada rodeada de amigos a garota marcada pela guerra que aprendeu a ouvir e segurar a língua. Acho que esse foi o livro mais diferente que eu já li, não sei muito bem porque, mas talvez tenha relação com o fato de ser uma história real… Pelo menos a veracidade do diário foi testada duas vezes e em ambas concluíram que ele era real de verdade.

A parte mais difícil para mim, foi entender que aquilo não era uma história de ficção com enredo certo, com início, meio e fim, com histórias criadas de um mundo imaginário. Só lá pela centésima página a ficha, de que aquelas pessoas estavam escondidas e correndo risco de morte, caiu. E a partir daí tive um pouco de dificuldade na leitura. Levei três meses para concluir esse livro que nem é tão grande, mas me causou um pouco de desconforto.

Ela não conta nada de absurdo, você não acompanha o cenário de guerra e nem nada do tipo, mas ainda assim considero uma leitura indigesta. Não sei se o leria novamente, mas no fim das contas acho que é um livro que vale a pena ler. Cada um vai receber a história de um jeito e acho que muitos vão desistir no meio do caminho. Não pelo fato de ter cenas de horror, mas porque é uma leitura arrastada que exige conexão com a escritora do diário. Se não tiver pelo menos um pouco de identificação dificilmente você conseguirá chegar até o fim da história.

É complicado olhar para o relato de alguém que foi vítima do Holocausto e não se sensibilizar, não pensar como foi difícil para todas aquelas pessoas abrir mão da liberdade para proteger a própria vida. Acho que nem consigo imaginar quanta dor os judeus devem sentir até hoje por conta daqueles anos obscuros…

Apesar de me fazer sentir tantas coisas, acho que não é um livro fácil, não é qualquer pessoa que deve ler e vou pensar em lê-lo novamente daqui a uns 10 anos para ver se minha percepção será a mesma.

Se for ler, tenha paciência e não espere aventuras, mas esse livro tem a capacidade de mexer com você e sua percepção de liberdade, pelo menos.

Nota: 8,3

Você irá gostar de ler também:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *