Descobertas Mentais – Final

Olá, meu bom leitor.

Chegamos a mais uma quinta-feira e com ela mais uma postagem de um texto meu.

Espero que vocês estejam gostando das mudanças que eu estou fazendo no blog, sobre as postagens informativas, agora um dia fixo para os meu textos o novo visual do blog mais clean e menos agressivo aos olhos e tudo o mais que ainda está por vim.

A minha proposta é de sempre me reinventar para melhor, sempre pensando em você meu bom leitor, sem mais nada a falar vamos ao final do conto que eu iniciei semana passada, só para deixa-lo informado semana que vem teremos um conto da Michele.

Para quem não leu ai segue o link da primeira parte:

Parte 1

Tenha um ótimo ponto para ler!

Descobertas mentais – Final

– Como isso pode ter acontecido comigo? – Olavo perguntou a Arnaldo com uma voz fraca e presa por causa do medo que sentia.

– Esta não é uma pergunta que eu devo responder Olavo, cada coisa há seu tempo.

– Tudo bem, mas então quer dizer que todos os dias eu vinha aqui, sentava e passava o dia olhando para um computador sem fazer nada?

– Exatamente, sua mente estava criando uma ilusão para que você permanecesse vivo, é um mecanismo de auto preservação. Quando não estimulamos nossa mente, ela se atrofia como um músculo que não se exercita, mas o cérebro é mais complexo que um conjunto de fibras musculares. Ao se ver sem estímulos externos ele começa a criar estímulos internos básicos para compensar a falta de atividade.

– Mas ainda não consigo compreender como eu vinha trabalhar e não percebia que estava sozinho.

– Olavo, vou lhe falar uma verdade sobre a vida. Quantas pessoas se entregam a rotina, se entregam no comodismo e não tem a coragem de sair de suas zonas de conforto? Elas passam pelas mesmas ruas, cumprimentam as mesmas pessoas, olham para a mesma paisagem, pensam as mesmas coisas, se preocupam com as mesmas contas e vivem deixando o tempo passar e não percebem o real mundo que os rodeia.

Olavo ia escutando Arnaldo e ia sentindo ondas de arrepio percorrer o seu corpo. Era como se aquelas palavras fossem especialmente pensadas para ele escutar, era uma verdade incrivelmente real para ele, uma verdade crua, amarga e difícil de engolir.

– Como uma mente – continuava falando Arnaldo – pode evoluir e se manter forte se a pessoa não se preocupa com isso? Então, Olavo, o cérebro cria mecanismos para manter essa pessoa viva. Se preocupar excessivamente com a vida de outras pessoas em especial com a de famosos, trabalhar durante quarenta e quatro horas semanais e ter um aproveitamento de pouco mais de oito horas semanais, passar ano após ano sonhando com o que iria fazer caso ganhasse na loteria, a mente faz pequenos estímulos internos para que a pessoa o mantenha trabalhando com atividades fracas, mas fracas o suficiente para que ele continue vivo.

– Isso aconteceu comigo – disse Olavo para si mesmo enxergando a verdade.

– Com você e com tantos outros milhares de pessoas, mas no seu caso podemos dizer que essa atividade interna cerebral é um pouco mais acentuada.

– Acentuada como?

– Ela foi ampliada, foi dada a sua mente, em particular, uma capacidade maior de responder aos estímulos internos.

Olavo olhava para ele com uma expressão de medo.

– Olavo, vamos ser práticos, como é o rosto da sua mulher?

Olavo não disse nada.

– Como foram as suas últimas férias?

Olavo não disse nada.

– Qual foi a notícia que você viu hoje no jornal?

Olavo permaneceu calado.

– Como foi o trânsito da sua casa até o trabalho?

Olavo não sabia o que responder.

– Onde foi que você deixou a sua mulher, ou melhor, você realmente estava acompanhado dentro do carro?

Olavo caiu no chão, sentia fortes dores em sua cabeça, ele tentou gritar por ajuda, mas não conseguia mais comandar o seu próprio corpo. Ele se contorcia sentindo os músculos se retesando e relaxando em um ritmo frenético, e então aconteceu.

Ele começou a ver em sua frente imagens, memórias como que se estivessem sendo projetadas, ele se via andando sozinho, indo ao “trabalho” e permanecendo sentado por horas olhando para uma tela desligada, via que conversava sozinho olhando para uma vassoura encostada na parede de ponta a cabeça, via parando o carro em frente a uma casa abandonada e depois partia. Foi aí que as dores na cabeça viraram pontadas e o seus espasmos musculares ficaram mais fortes e ele se deu conta que as imagens vinham de forma retroativa.

Ele viu o seu penúltimo encontro com Arnaldo, e depois outro e outro e outro até que ele perdeu as contas de quantas vezes mais ele viu aquele homem se apresentando. Depois viu luzes fortes e vários médicos a sua volta, e então se recordou do acontecimento.

Estava em um bar com vários amigos conversando quando na esquina passou um carro em alta velocidade disparando contra um carro de polícia que o perseguia e ali ele se recordou do tiro que levou. Depois disso sua visão ficou negra.

Quando voltou a si já tinha todas as memórias necessárias para se situar e já sabia que pergunta fazer.

– Arnaldo? – perguntou Olavo enquanto se levantava.

– Estou aqui – respondeu enquanto o ajudava a se erguer.

– Eu estou em coma?

– Sim, assim que você chegou ao hospital você já estava com diminuição da atividade cerebral e, sejamos francos, seu cérebro não era forte, você não o estimulava, não o trabalhava. Para não deixarmos que você morresse tivemos que lhe submeter a uma técnica nova de estimulação cerebral, uma realidade virtual ligada ao seu cérebro.

– Por isso que tudo aqui é tão vago, tão vazio e sem nada?

– Sim, tudo aqui é um reflexo da sua mente, a sua falta de estímulo provoca isso, um mundo vazio e quebrado falho e imperceptível para a pessoa que o habita.

– O que eu faço para acordar do coma? – perguntou Olavo procurando coragem e forças naquele momento de descobertas.

– Esta é a terceira pergunta Olavo, mas antes que eu lhe responda tenho algo a dizer. O que separa uma mente brilhante de uma mente sedentária é uma linha tênue entre apenas sonhar e trabalhar o sonho para que ele vire uma realidade. Dê passos fora de sua zona de conforto e aproveite esta oportunidade para ter uma segunda vida.

– Obrigado – disse Olavo no momento que Arnaldo sacou uma pistola e lhe disparou contra o peito.

Depois de muito tempo Olavo começou abrindo os olhos devagar para se acostumar com a claridade, ele estava deitado em uma maca com uma série de apetrechos e fios ligados a sua cabeça. Apertando a sua mão forte estava a sua mulher olhando-o com os olhos cheios de lágrimas e ao lado dela um médico que ele já conhecia, Arnaldo.

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