Despertar – Final

Olá meu bom leitor!

Hoje estou postando o final do conto “Despertar” que iniciei há um bom tempo.

Estou especialmente feliz por conseguir finaliza-lo aqui no blog, o primeiro a postar em forma seriada.

Espero que gostem do final, e claro dos meus pontos de vista que eu coloquei no texto.

Muito obrigado a todos que estão acompanhando o blog e criticando, elogiando, dando sugestões e afins.

Então chega de enrolação, logo abaixo segue os links das outras quartas partes para quem não lembra ou está vendo o blog hoje pela primeira vez.

Semana que vem continuarei postando os outros textos que possuo.

Segue os links das outras partes:

Parte I

Parte II

Parte III

Parte IV

Tenha um ótimo ponto para ler!

Despertar – Final

“Como isso poderia estar acontecendo?” pensava Luís incrédulo, a casa estava como na vida real, tudo estava na mais entediante e monótona normalidade.

A televisão estava ligada como de costume em um canal de culinária da rede aberta, sua mãe teimava em sempre deixar a televisão ligada enquanto fazia outras coisas, como sempre Luís desligou enquanto cruzava a sala.

“Tenho que jogar esse jogo” pensou ele assim que desligou a televisão e caminhava para a cozinha. A porta de entrada da cozinha estava tomada por um cheiro de alho, tomate e pimentão sendo refogado no óleo, Luís conseguiu sentir o sabor que o aroma dos temperos em preparo fazia. “Tudo uma ilusão”.

– Quantas horas são mãe?

– Deve ser quase oito horas, o que aconteceu que você voltou tão cedo?

– Me senti um pouco mal e resolvi voltar para casa.

Ela estava cortando uma cebola com uma faca de cozinheiro, quando Luís terminou de falar ela parou e baixou a cabeça – O que você esta sentindo? Precisa de algum remédio?

– Somente um pouco de descanso – “que ego é você?” – não é muito cedo para começar a preparar o almoço mãe?

Ela voltou a cortar a cebola – Quanto mais cedo melhor meu filho.

– Mas a comida vai esfriar se você preparar tudo agora, e eu não vejo nem a sujeira que eu deixei, eu derramei quase todo o café da jarra no chão e nem vejo também o saco dos pães – “agora eu te peguei”.

Ela virou com a faca apontada para Luís com uma feição de tristeza e os olhos cheios de água, ele não sabia o que fazer, da maneira que ela virou dava a impressão que ele iria ser apunhalado em qualquer movimento brusco.

– Que ego é você? – Luís perguntou com tom decisivo dando um passo para trás, imediatamente o cheiro do tempero foi dissipado no ambiente.

– Apenas me mate – disse ela aproximando a faca para Luís.

– Você esta louca, você quer me matar com essa faca.

O ego parou, girou a faca em sua mão e entregou a Luís com o cabo livre – Me mate.

– Que ego é você? – Luís precisava saber, ele perguntou enquanto pegava a faca.

– Eu sou a sua ignorância.

Até mesmo Luís teve uma surpresa, sua ignorância tinha a personificação da sua mãe – Por que a minha mãe?

– Luís eu não sei muito das coisas – disse a Ignorância enxugando as lágrimas – o seu subconsciente que deve saber o porquê.

– O meu subconsciente está lá fora, e ele não sabia me dizer que ego eu iria encontrar aqui.

– Então ele não é o seu subconsciente. Vamos me mate logo, não quero mais ser usada pelo outros egos.

– Ser usada?

– Luís não vamos trocar os papeis aqui, eu que sou a ignorante, como você acha que os egos conseguem te manipular e te guiar?

Luís permanecia calado imaginado o que poderia ser.

– Luís, pobre daquele que acredita que não é ignorante e age como se fosse o dono da verdade – sua Ignorância começou a chorar – sempre fui usada pelos outros egos para encobrir os seus verdadeiros desejos e induzi-lo a fazer escolhas a minha sombra, escolhas erradas.

– Você tem a imagem da minha mãe, por que ela não sabe mexer em coisas tecnológicas, não tem ensino superior ou mesmo por ter se deixado ficar parada enquanto o mundo evoluía e crescia.

– Mas quem te educou? Quem te ensinou sobre a vida? Quem foi Luís?

– Minha mãe.

– Quem se deixou ser dominado por egos inferiores?

– Eu.

– Lembre-se Luís, se você tivesse sempre escutado os conselhos de sua mãe, quem seria o agente executor das escolhas da sua vida?

– Eu – Luís apertava o cabo da faca com força ao ver que o ignorante sempre foi ele e não sua mãe. Agora ele via que ensino, tecnologia e outras tantas coisas que são critérios de destaque na vida capitalista não é nada comparado a quem realmente sabe viver com sabedoria. Característica muitas vezes menosprezada pela maioria.

– Luís, feliz não é o que vive a sombra da ignorância, feliz é aquele que vive a luz do conhecimento. Me mate.

Luís baixou a cabeça e viu que sua mão estava vermelha devido à força que apertava o cabo da faca, quando voltou o olhar para o ego sua forma não era mais da sua mãe e sim a sua.

– Mate-me Luís e fique livre de ser um ignorante – Sem hesitar Luís cravou a faca no meio do peito da Ignorância, no momento ele forçou a faca mais um pouco e sentiu o sangue quente escorres pelos os seus dedos, enquanto a Ignorância dava seus últimos suspiros Luís ia se sentindo mais esclarecido e via o que deveria fazer – obrigado Luís, sabe o que fazer?

– Sim eu sei.

Luís deitou o corpo do ego agora sem vida no chão da cozinha e observou a sua própria imagem ali deitada com a faca encravada no peito, ele retirou a faca ensanguentada e saiu da casa, com uma determinação concreta do que deveria ser feito para ele acabar com tudo aquilo.

Ao sair da casa, um céu estrelado embelezava tudo, ele foi até onde avia sido deixado pelo dragão, que não se encontrava mais lá.

– Onde você está? – gritou Luís – vamos apareça dragão!

Ele não obteve nem uma resposta.

– Preciso da sua ajuda – venha me ajudar – estou a sua espera.

Novamente nenhuma resposta, “Onde você está lagarto imundo?”.

Do horizonte veio um rugido fraco vindo de muito longe, “Isso venha” pensou Luís que observava o horizonte que mostrava o sol nascer.

Em pouco tempo o dragão apareceu voando, Luís pode observar que ele estava maior e com músculos mais protuberantes, ele pousou na frente de Luís a pouco mais de quinze metros de distância.

– Estava me chamando? – perguntou o dragão com uma voz bem mais grossa, quase como um trovão.

– Sim – respondeu Luís – vejo que você cresceu como isso seria possível?

– A medida que você cresce, eu cresço junto.

– Interessante então você deve saber qual ego eu matei ali dentro, para nos deixar mais fortes.

– Como já havia lhe dito eu não sei dizer qual ego era, você poderia me dizer?

– Acho que é o único ego que você não conseguiu encontrar para se alimentar.

– O que você está dizendo?

– Pensei que tínhamos uma conexão mental, afinal de contas você é o meu subconsciente, não é mesmo?

– Então você o achou?

– Digamos que não vivo mais sob a sombra da ignorância. Que ego é você?

– O último que você verá. Sou a Dissimulação.

– Como eu pensei. O ego mais baixo e vil que alguém poderia cultivar. E olhe só, eu te cultivei.

– Como você descobriu? – perguntou o dragão – quero pelo menos saber isso antes de controlar seu corpo.

– Quando a Ignorância morreu, um véu que tampava a minha razão foi retirado, e eu vi que quem está vivendo tudo isso, sou eu. Eu sou Luís, eu sou o meu próprio subconsciente. E depois comecei a raciocinar, coisa que não fazia há muito tempo, que tipo de ego me ajudaria a encontrar outro ego para matar? Que tipo de ego fingiria ser meu subconsciente para tirar proveito da situação? Por que um subconsciente necessita comer outro ego?

– Eu faria tudo isso, eu a Dissimulação. Acredito que você só chegou às respostas dessas perguntas por sermos tão próximos, não é mesmo?

– Somos quase a mesma pessoa, eu vejo isso agora. Quantas pessoas já me chamaram de dissimulado e eu nunca me toquei, mas isso são detalhes insignificantes para o momento. Pelo que eu sinto você já deu conta de todos os outros egos inferiores.

– Sim, e foram extremamente deliciosos. Sobraram apenas os egos superiores que se recusam a lutar e preferem confiar na sua capacidade. Idiotas! Assim que estiver no controle, o primeiro a morrer será a fraca da Compaixão, pela insolência de pedir que eu parasse de fazer o que sempre faço para que ela garantisse um perdão a mim.

– Terei prazer em alimentar a Compaixão, para que seja forte e muito maior do que você poderá ser um dia.

– Acha mesmo que pode me matar? – a Dissimulação riu alto e em tom de deboche – sou agora oito vezes maior que você, tenho patas fortes com garras, uma mandíbula com presas do tamanho da sua perna e solto labaredas de fogo. E você, o que tem? Uma faca?

– Se lembra que você disse que aqui eu controlo tudo?

– Você não pode me fazer mais fraco.

– Mas posso ficar maior – dizendo isso Luís aumentou de tamanho para ficar de igual para igual com a Dissimulação e a faca se tornou uma enorme espada – quero apenas uma luta justa contra você. Quanto tempo ainda temos?

– Umas quatro horas para o fim.

– É mais do que suficiente.

A Dissimulação riu e partiu para cima de Luís, que no mesmo momento correu em direção a ela empunhando a espada. O choque dos dois foi uma confusão de fogo e aço, enquanto sol e lua rodavam freneticamente no céu.

Seus olhos abriram devagar e pesados. No início sua visão estava embaçada e com o tempo foi voltando ao foco. Sentia o corpo dolorido por ter permanecido tanto tempo sentado na mesma posição. Cada músculo gritava de dor.

Quando finalmente conseguiu se colocar de pé observou o ônibus, várias pessoas ainda permaneciam sentadas e outras deitadas uma sobre as outras no corredor.

– O senhor está bem? – uma voz feminina vinha da porta do ônibus – o senhor também lutou…

– Contra egos?

Ela respondeu positivamente com a cabeça, sua expressão era de medo – O senhor venceu?

Ele a olhou com um sorriso de satisfação e disse – Bem, estou vivo, então acredito que sim.

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