Despertar – Parte I

Boa noite meu bom leitor!

Irei começar a postar um conto que escrevi no ano passado, ele ficou extenso e por esse motivo vou postando em forma de seriado.

Isso não quer dizer que eu vou postar somente esse conto até finaliza-lo, vou postar outros textos em paralelo enquanto vou postando este.

Tenha um ótimo ponto para ler!

Despertar – Parte I

“Estou estressado”, era o único pensamento que Luís conseguia ter enquanto estava sentado no banco do ônibus parado em um engarrafamento na via estrutural. Ele estava próximo à janela com o ombro encostado no vidro. Seu olhar se fixou nos carros, que estavam travando a mesma guerra contra o tempo que ele. Levantou o pulso para dar uma olhada no relógio e viu que já era sete e quarenta da manhã, “mais um dia que chego atrasado ao serviço”, pensava sem esboçar nenhuma expressão em seu rosto.

Luís trabalhava em um pequeno escritório de advocacia situado no setor comercia sul de Brasília. A via estrutural, onde ele estava parado pensando nos problemas que aquele atraso lhe causaria no futuro, fazia a ligação da capital com outras cidades do Distrito Federal.

Ele deveria chegar ao serviço exatamente às oito horas da manhã, mas pelo caminhar das coisas, o horário avançado e o chão que ainda faltava percorrer era praticamente impossível chegar no horário. Luís apenas pensava em que desculpa iria dar para não perder o emprego.

Enquanto refletia sobre os problemas iniciais de seu dia, o senhor sentado ao seu lado deixou a cabeça cair em cima de seu ombro. Luís levou um pequeno susto e tentou sacudir o braço para o senhor retirar a cabeça. Nada aconteceu, pediu para o homem levantar a cabeça e nada novamente. Deu um pequeno empurrão, a cabeça foi um pouco para cima e voltou com velocidade para o seu ombro, a batida lhe causou um pouco de dor, mas o homem ao seu lado não fez nenhum movimento.

Ele olhou em volta, viu o ônibus lotado, todos os assentos estavam ocupados e no corredor do ônibus não havia espaço para caber um homem se quer. Mas todos estavam quietos e em silêncio e não aparentavam dar importância ao fato de um homem estar com a cabeça encostada no ombro de outro.

“Estranho” pensou Luís, “Está tudo muito estranho hoje”. Ele chamou o homem para que ele retirasse a cabeça de seu ombro, mas não obteve nenhuma resposta, “estranho, muito estranho”.

Ele empurrou a cabeça do homem um pouco nervoso, deve ter usado um pouco de força desnecessária, pois o homem acabou caindo por cima de uma mulher que estava em pé na sua frente. Antes que Luís pudesse segurar o homem ou pedir desculpas à mulher ele se assustou, pois da mesma maneira que o homem foi ao chão ele permaneceu, caído entre os pés dos demais. A mulher que ele esbarrou no momento de sua queda não desviou e não teve qualquer reação sobre o que aconteceu.

Luís levantou-se assustado e um grito de medo foi abafado quando ele percebeu o que acontecia a sua volta, todos no ônibus estavam imóveis e nenhum som era emitido ali dentro, tirando o da respiração pesada e descompassada dele.

Ele gritava e empurrava as pessoas, mas elas não respondiam e não emitiam sequer um sinal sonoro ou corporal. Em seu desespero Luís se lembrou de que estava indo para o trabalho e em um surto mental em meio ao seu desespero saiu correndo para fora do ônibus. Ao colocar os pés para fora ele caiu de joelhos por não acreditar no que via, ele levantou o pulso para olhar as horas e viu que já eram cinco e trinta da tarde, o sol começava a se por em sua frente.

Ele estava confuso e perdido, não entendia como o tempo poderia ter passado tão rápido em um piscar de olhos, “o que está acontecendo com tudo? Por que todos estão assim? O que está acontecendo com o tempo?” Eram pensamentos que corriam e destruíam a sua mente.

Em seu desespero começou a correr por entre os carros. Por mais que corresse e gritasse as pessoas não se mexiam. Uns estavam com os punhos serrados nos volantes, outros com o celular no ouvido e as bocas semiabertas, alguns olhando pelos retrovisores e tantos outros em posições casuais, mas todos, exceto Luís, imóveis.

Após correr por uns duzentos metros, movido pelo seu desespero, ele parou subitamente. Sua mente ficou em silêncio. De repente, como se guiado por um instinto primitivo, andou em direção a um motoqueiro que estava caído. Ele retirou o homem de cima da moto, montou e começou a pilotar em direção ao setor comercial sul. Como se fosse uma válvula de escape para toda a situação Luís teve a mente invadida por um pensamento intenso: “preciso trabalhar”.

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