Diário de John Robinson Miller – 1942 (Segundo Trimestre)

  Olá meu bom leitor!

Aqui esta a segunda parte do diário do John, espero que estejam gostando da historia, pois ela esta sendo um enorme desafio.

Para quem não leu a primeira parte aqui segue o link:

Parte 1

Tenha um ótimo ponto para ler!

Diário de John Robinson Miller – 1942 (Segundo Trimestre)

Abril, 08

Estou começando a ficar desesperado, todos os rádios que arrumo e coloco no painel da Donzela simplesmente não funcionam. Alguns estouram, outros derretem os cabos da conexão e um até pegou fogo. O interessante é que fogo apenas consumia o rádio, o fogo consumiu todo o rádio transformando-o em pó, mas o painel permaneceu intocado.

Eu disse ao Cabo Collins o que aconteceu, sobre o fogo e tudo mais, ele riu muito de mim, e disse que a Donzela é a única aeronave que eles não tentam arrumar, parece que ela é amaldiçoada ou algo do tipo, ela apenas aceita peças dela e recusa o que não foi dela originalmente.

Claro que fiquei com um pouco de medo do que ele me disse, mas isso não me fez ir dormir em outro lugar, ainda prefiro dormir na cabine da Donzela e ter os meus sonhos de piloto.

Abril, 28

As últimas semanas foram as mais tensas da minha vida, pela primeira vez desde quando cheguei aqui no cemitério cinza à guerra se aproximou de mim.

Lembro que acordei assustado com sirenes e trombetas tocando e vários homens gritando, eram sons de tiros, aviões, bombas e a claridade do fogo que iluminava a noite, fomos atacados pelos nazistas.

Pensei que ia morrer na noite do dia 10, o máximo que consegui fazer foi me esconder por de baixo do painel da Donzela e abraçar o meu caderno. Felizmente os nossos antiaéreos cumpriram com a suas funções, derrubaram todos os sete aviões negros com a suástica pintada em vermelho em suas asas.

Mas nada vai me fazer esquecer de quando o dia amanheceu e saí da Donzela. Tudo estava queimado, tudo estava destruído e com marcas da batalha, menos a Donzela.

Maio, 04

Ontem abandonamos a nossa base, estamos indo na direção do leste, o Cabo Collins disse que o Coronel responsável deu a ordem para garantir a nossa segurança.

A Donzela ficou para trás e eu não consegui dormir essa noite, era só eu fechar o olho que a estática dos rádios invadia a minha cabeça, passei a noite olhando as estrelas, como eu queria ter os meus sonhos.

Maio, 12

Já faz dois dias que paramos em um campo perto de um pequeno lago, pelo o que parece iremos montar a nova base aqui, parece ser um lugar bom e longe da guerra, mas o cemitério cinza também era e a guerra nos alcançou.

Não consigo dormir desde o dia que partimos, hoje cedo quando fui fazer a barba usando a faca como espelho reparei que estou com olheiras, minha aparência está péssima.

Maio, 22

Estou pensando seriamente em desertar e voltar para o cemitério cinza. Não durmo, mal consigo comer e ontem a noite enquanto estava deitado olhando para as estrelas pude ver a Donzela voando em círculos, estou sendo perseguido pelos os meus sonhos.

Não sei mais se estou ficando louco ou se já fiquei.

Junho, 15

Já faz cinco dias que fugi da base, estou perdido no campo e não sei que direção seguir.

Todo dia ao nascer e ao por do sol verifico se estou indo para o oeste, pois se fugimos para o leste, o cemitério cinza só pode estar para a oeste.

Espero não estar louco a ponto de não saber que o sol nasce no leste e se põem no oeste.

Junho, 17

Durante a noite de ontem, enquanto estava deitado comecei a escutar vozes, mas não eram vozes da minha cabeça, eram vozes transmitidas de um rádio.

Primeiro fiquei com medo, se há um rádio por perto deve haver pessoas por perto também, fiquei com medo de ser capturado.

Tentei me camuflar debilmente para me aproximar de onde vinha o som, à medida que me aproximava, mais claras as vozes ficam, podia ouvi-las pedindo ajuda.

Quando cheguei perto do local que vinha o som reparei que era de um rádio coberto de lodo e folhas, estava enferrujado, mas o som era nítido, quando o peguei formigas subiram na minha mão e a voz da transmissão disse: Volte para mim John Robinson Miller.

Soltei o rádio no chão por causa do susto, passei a noite em pé ouvindo o rádio repetir a mesma mensagem com o meu nome, assim que o sol começou a nascer peguei o rádio e fui em direção ao oeste.

Junho, 25

Consegui chegar ao cemitério cinza na manhã de hoje, devo admitir que apenas consegui chegar aqui por causa do rádio enferrujado, a voz ficava fraca a medida que eu ia pelo caminho errado, assim foi fácil chegar aqui.

Para a minha maior surpresa quando cheguei fui surpreendido por um pelotão, e nele estavam William Sem Sobrenome e o White, eles disseram que foram pegos em uma emboscada e o tenente recuou para avisar a base do ataque, mas como eles viram, eles chegaram tarde. Por não saberem para onde todos haviam ido eles ficaram esperando por alguém voltar ou se recuperarem para partir para o norte.

Misteriosamente assim que entrei no cemitério cinza o rádio ficou mudo, ao dizer a eles como fiz para voltar e como o rádio funcionou, eles não acreditaram e, como eu esperava, riram de mim.

Junho, 27

Ontem consegui dormir e tive o meu sonho de piloto, como eu suspeitava o rádio era da Donzela, e no sonho ele funcionou perfeitamente.

Em meio ao ataque que eu fazia parte falava com todos pelo rádio, até que quase tive a impressão que falei com o Cabo Collins, lembro que ele perguntou onde eu estava e o respondi que estava em combate, falei para ele as coordenadas da base nazista que estava atacando, em pouco tempo apareceram cinco aviões que somaram força ao meu ataque.

Devo estar realmente louco, quando falei para o White sobre o sonho ele disse que passei a noite dormindo e que a Donzela permaneceu em seu lugar imóvel.

Junho, 28

Estou com a impressão que o pelotão esta aumentando a cada dia que passa, a dois dias atrás havia a metade de soldados que hoje tem no cemitério cinza, o que me intriga é que eu não os vejo comendo ou dormindo, eles apenas passam o dia e a noite andando de um lado para o outro.

Estou com medo deles, estou passando os últimos dias dentro da Donzela, eles não se aproximam do avião e isso me dá um certo conforto.

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