Em um Manifesto

Olá meu bom leitor!

Fiz esse conto agora vendo os noticiários sobre as manifestações que estão acontecendo por todo o país.

Nesse conto tentei colocar a minha opinião, em uma situação que poderia ter acontecido na manifestação que teve aqui em Brasília.

Espero que gostem.

Tenha um ótimo ponto para ler!

Em um manifesto

– Vamos! Vamos! – gritava um mais na frente segurando um cartaz escrito “Quando o seu filho ficar doente leve para o estádio” – Democracia! – gritava mais alto que conseguia, e sendo seguido por uma multidão – Vamos para cima deles!

Thiago estava no meio da multidão, gritando e correndo ombro a ombro junto a multidão. Ele corria, mas não sabia mais se aquilo era correto “Porque estamos indo para cima do Congresso?”, pensava ele enquanto pulava dentro do espelho d’água para chegar ao imponente edifício.

A multidão chegava como uma massa abrindo espaço sem nem uma dificuldade até o seu objetivo, eles vão de encontro à rampa de acesso ao telhado. Thiago seguia passo a passo com todo mundo, mas sentia que aquilo já passava dos limites. A multidão andava barulhenta e descompassada, a frente da rampa estava uma linha de policiais para impedir o seu progresso.

– O que aconteceu? – perguntou Thiago quando a multidão fez uma parada inesperada na alameda de frente ao Congresso.

– Parece que tem uns policiais ali barrando a nossa subida – disse uma menina qualquer que ia seu lado – vamos subir de qualquer jeito! – ela gritou, mas sua voz foi abafada pela euforia total – Vamos!

Thiago pensou em voltar pensando que aquilo seria imprudente, mas foi impedido, ele estava no miolo da massa, não pode fazer nada além do que seguir a passos incertos.

A multidão começou a seguir empurrando a pequena linha de policias que se mostrou ineficaz para conte-los, as pessoas seguiam cantando e empunhando os seus cartazes, eles subiram como uma massa e ocuparam o teto do edifício.

Mas porque subir?”, Thiago se perguntava constantemente, “Isso está errado, já é falta de respeito. Isso não é mais uma manifestação”. Antes que ele conseguisse chegar ao final do teto ele escutou um grito, depois as pessoas corriam em desordem na rampa, outro grito e um disparo, Thiago se assustou, mas ele não tinha para onde correr, outro tiro – Estou atirando! – Thiago ouviu alguém gritando em meio à confusão, antes que ele conseguisse ter uma reação um grupo de manifestantes voltou do teto correndo fazendo com que Thiago fosse empurrado da rampa, Thiago apenas conseguia ver em um curto momento uma multidão correndo na parte mais alta da rampa e policiais atirando com balas de borracha na outra extremidade. Thiago sentiu o impacto da queda e desmaiou.

Ele acordou dois dias depois da grande manifestação, acordou na cama de um hospital, sua mãe estava dormindo sentada em uma cadeira ao seu lado, ele tentou se levantar, mas foi sem sucesso, uma onda de desespero percorreu pelo o seu corpo “Eu não posso estar…” pensou ele tentando não acreditar em sua nova realidade, lagrimas escorriam do seu rosto, ele não poderia imaginar que aquilo poderia estar realmente acontecendo “É um sonho, é um sonho” pensava ele enquanto soluçava e chorava.

Sua mãe acordou com o choro e o abraçou, abraçou-o ali deitado na cama – Eu não estou… – tentou dizer ele com a voz embargada do choro, sua mãe já estava banhada de lagrimas, ela o olhou com amor.

– Calma meu filho, você esta vivo – ela tinha os olhos vermelhos e o seu rosto apresentava marcas de cansaço e pouco sono – você esta vivo o resto é um detalhe – e voltou a chorar e abraçar o filho.

Enquanto a sua mãe o abraçava Thiago pode ver a televisão presa na parede, passava um noticiário qualquer, mas foi a noticia em questão que o chamou a atenção, estava passando uma foto sua.

– Mãe aquele – sua voz falhou – sou eu?

Sua mãe olhou a televisão e chorou mais – Sim meu filho, após a sua queda, todos pararam, todos ficaram atônitos, todos acharam que você morreu na hora. Manifestantes e policiais se uniram para lhe salvar, e em questão de minutos todos começaram a sair correndo do Congresso com medo – ela chorava mais – filmaram na hora que você caiu meu filho – ela segurou a sua mão com força – eu te reconheci no mesmo momento – ela parou para ter forças de falar – pensei que tinha te perdido.

Thiago chorava mais do que antes – Desculpa mãe. Você ainda…

– Eu sei o que falei antes, e é besteira repetir. Mas agora todos estão orando pela a sua recuperação. Muitos repórteres já falaram comigo para eu dar uma entrevista, e eu neguei, até tiveram a ousadia de me perguntar se você poderia dar uma entrevista e eu neguei.

Ele sentia-se cansado e desolado por tudo, mas sabia o que deveria fazer – Mãe eu quero dar a entrevista.

– Mas filho…

– Por favor, mãe – os dois ficaram se olhando, os dois vendo as lagrimas um do outro, ela concordou acenando a cabeça e o abraçou novamente.

Passaram-se três dias para que Thiago desse uma coletiva em um auditório do hospital. Todas as emissoras, correios e revistas estavam presentes tanto nacionais como algumas internacionais.

– Não vou responder a nenhuma pergunta – começou falando Thiago sentado em uma cadeira que lhe apoiava as costas para que ele conseguisse ficar ereto – quero apenas fazer um desabafo – o auditório ficou em silencio para escutar o que o garoto tinha a falar – eu sou o Thiago, como todos vocês sabem – fez um sorriso amarelo – tenho vinte e dois anos, sou universitário, pelo menos era estudante de educação física. Mas não estou aqui para falar da minha vida, estou aqui para falar da manifestação que fiz parte, mesmo contra a vontade da minha mãe.

“No começo estávamos fazendo o que foi proposto, uma manifestação pacifica para chamarmos a atenção da mídia e da população contra a corrupção e descaso do governo para assuntos mais importantes como saúde, educação e segurança. Estávamos agindo de acordo com o combinado, mas o número de pessoas foi aumentando, foi ficando maior que pensava, e quando vi algumas pessoas estavam quebrando orelhões, placas e xingando policiais, mas eram poucos e eu pensei que não seria grande problema.”

“Foi ai que me enganei, quando me dei conta eu já estava na frente do Congresso Nacional, e as pessoas gritavam para invadir o prédio, gritavam para quebrar tudo, e gritavam dizendo que éramos nós que comandavam o Brasil – Thiago fez uma pausa – doce ilusão. No final não éramos uma manifestação, éramos uma baderna descontrolada destruindo patrimônios do nosso país, evoluímos para uma manifestação de alienados que apenas promovia a desordem.”

“Sou a favor da manifestação, sou a favor da população ir às ruas, sou a favor da democracia, mas não sou a favor do que aquilo virou, manifestantes pacíficos não sobem em telhados, manifestantes pacíficos não xingam policiais, manifestantes pacíficos não invadem prédios públicos. A realidade que vivemos é apenas um reflexo do que realmente somos, se o Brasil está uma bagunça, é porque, infelizmente somos bagunçados como população, se tivéssemos cidadania o governo exalava cidadania. Querem fazer uma manifestação pacifica, então sentem na rua e cantem o hino nacional, façam bandeiras nacionais tremularem ao vento, não se levantem, sentem-se e cantem de pulmões abertos. Se alguém quebrar algo, levante arrume e volte ao seu lugar, se alguém xingar uma autoridade, levante desculpe-se e volte a sentar. Parem a cidade com dignidade, e não com brutalidade. Obrigado pela presença de todos vocês.”

Thiago foi empurrado pela mãe, ele saiu do auditório com todos em silencio o observando. Após a sua saída todos começaram a entoar o hino nacional em voz branda.

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