Plano Piloto – Final

Olá, meu bom leitor.

Hoje estou aqui para postar a parte final do conto Plano Piloto.

Mas tenho que dizer que este foi um dos contos que mais me deu trabalho e que mais tentei ouvir todas as criticas, em colocar o texto para ser mais fluido, dinâmico e com um toque de ação.

Estou muito feliz com o resultado final, mas sei que ainda não é o ideal. Tenho que trabalhar e muito para alcançar pelo menos o aceitável no estilo de suspense policial.

Espero que para primeira tentativa eu tenho conseguido algo legal.

Muito obrigado a todos os toques.

Para quem não leu o resto aí vai:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

 Parte 4

Tenha um ótimo ponto para ler!

Plano Piloto – Final

– Não estou preocupado com o que a Ministra Amélia poderá achar disso – o General dizia com um tom de quem não iria mudar de opinião – apenas estou informando o que vou fazer. Não irei autorizar o estado de sítio.

– O senhor está louco – o Brigadeiro Moura já se exaltava do outro lado do telefone – recebemos uma ordem direta do presidente. Não temos escolha, temos que entrar com estado de sítio.

– Recebemos uma ordem da Ministra Amélia. Não vemos o presidente desde antes daquele dia. Então eu não farei nada até que eu veja o presidente pessoalmente e ele me fale que precisamos entrar com este estado de sítio.

– O senhor está insinuando que o presidente pode estar morto? – o Brigadeiro não acreditava naquilo.

– Pode ser que sim, mas também pode não ser. A única coisa que tenho certeza é que já faz quase um mês que ninguém o vê.

– O que você está dizendo é algo grave General, espero que tenha consciência das consequências.

– Também espero que o senhor tenha – a voz do General era grossa e fria – tudo o que fizemos é passível de consequências. Espero que o senhor esteja preparado.

– Isto por acaso é uma ameaça? – ele gritou do outro lado da linha.

– Se a sua consciência está pesada e vê isso como uma ameaça, eu não posso fazer nada.

A ligação foi desligada, o velho General olhou para o telefone e colocou no gancho – Temos um ganhador – disse para si mesmo e olhou o relógio. Pelos seus cálculos o professor Carlos já devia estar no Palácio do Planalto – é hora de dar continuidade ao plano.

Ligou para o seu motorista e disse que já estava descendo para encontrar com o Almirante Ribeiro no Ministério da Marinha.

Amélia dirigiu todo o tempo com a pistola encostada em seu pescoço. Ela tremia e suava frio. O sequestrador não disse nada durante todo o percurso, apenas permanecia segurando a pistola com os olhos vidrados tanto nela quanto no caminho que fazia.

– Pare ali – disse ele assim que eles entraram na rua que passa entre o Congresso Nacional e a Praça dos Três Poderes – no acostamento.

Ela obedeceu e desligou o veículo assim que o estacionou paralelo ao meio fio próximo ao STF.

– O que você quer que eu faça agora? – perguntou ela com a voz trêmula, nem ela mesma reconhecia o seu tom de voz. Ela não se sentia mais uma mulher forte.

– Apenas aguarde. Ligue o som em qualquer rádio.

Assim que ela ligou se surpreendeu com o que ouviu. Em todas as rádios passava a mesma mensagem gravada:

“Hoje, às 16h, o Presidente da República Lucas Montream fará um comunicado direto do parlatório do Palácio do Planalto”.

Nesse momento ela olhou para a praça e percebeu que chegava gente a todo momento. Alguns carros de emissoras de televisão também já estavam lá e se preparavam para registrar o pronunciamento.

– O que está acontecendo? – perguntou ela sem acreditar no que estava vendo.

– Temos apenas que aguardar – disse ele pressionando a arma contra o pescoço dela – e você ira aguardar com calma e bem quieta.

O professor Carlos já estava tonto depois do quinto soco que levou. Ele estava sentado com as mãos amarradas para trás. A sala era pequena e dentro estavam mais dois seguranças do palácio.

– Vamos, diga a verdade, como você chegou lá embaixo? – perguntou o que aparentava ser o chefe.

– Eu… eu… já disse – sua respiração estava ruim.

– Faça ele recobrar a memória, Rafael.

O segurança mais corpulento se inclinou um pouco e desferiu outro soco no estômago do professor que soltou um pouco de sangue pela boca.

– Você realmente acredita que somos imbecis? Como você chegou lá embaixo?

O gosto de sangue na boca estava lhe dando náuseas. Quando foi tentar abrir a boca para falar o segurança caiu a sua frente imóvel e pela sala entraram três militares todos vestidos de preto.

– Mas que porra é… – Rafael o outro segurança foi atingindo por um dardo e caiu imóvel no chão ao lado do professor que estava olhando tudo assustado.

– Professor Carlos? – perguntou o militar que atirou por último.

Sem força para falar apenas acenou positivamente enquanto outros dois lhe desamarravam.

 – Fomos enviados pelo General Albuquerque – disse o mesmo militar enquanto conduzia o professor para fora da sala. Do lado de fora havia mais duas dúzias de militares, todos vestidos de preto – o senhor está bem?

– Sim – disse ele com a voz baixa enquanto passava a mão na boca para limpar o sangue.

– Nos guie para o gabinete do presidente.

– Por… – desistiu de falar e acenou com a mão enquanto andava meio tonto mostrando o caminho.

Ao chegar ao ministério foi logo subindo para o gabinete do almirante.

Quando a porta do elevador se abriu foi pego de surpresa por uma cena chocante. A equipe de perícia da marinha estava à porta do gabinete conversando com o Chefe de Gabinete e isolando a área. Aquele foi um dos poucos momentos em que o General Albuquerque se sentiu perdido e sem saber o que fazer.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou ele assim que saiu do elevador.

O Chefe de Gabinete lhe disse tudo o que aconteceu, de como o Almirante Ribeiro chegou pela manhã como de costume e depois de umas duas horas foi encontrado morto sentado em sua cadeira.

– Então ele foi envenenado – disse o General.

– Os peritos irão confirmar – o olhar do Chefe de Gabinete era que sim.

– Tenho que ir rápido para o Palácio do Planalto – o General Albuquerque já disse se virando para o elevador – fique de olho nos noticiários, acredito que algo grande está para acontecer.

Havia uma multidão na Praça dos Três poderes, já era 15h30.

A assessoria de comunicação da presidência não soltou nenhuma nota a respeito do que o presidente iria falar no parlatório, na verdade estavam todos criando as mais variadas hipóteses do que poderia estar acontecendo.

Tanto no rádio quanto na televisão a mensagem que apresentava era sempre a mesma:

“Hoje, às 16h, o Presidente da República Lucas Montream irá fazer um comunicado direto do parlatório do Palácio do Planalto”.

Todos os noticiários nacionais e alguns internacionais já estavam prontos, esperando apenas a hora em que o presidente apareceria para dar a tão esperada notícia.

Exatamente as 15h50 uma mulher vestida de terno preto levou correndo um microfone ao parlatório e logo em seguida escoltado por uma equipe de militares vestidos de preto vinha um homem com cerca de 1,60m de altura. Sua expressão era tanto de raiva como de tristeza.

Após todas as caixas de som estarem instaladas e a multidão na praça ficar completamente em silêncio o pequeno homem começou a falar.

– Meu nome é Davi Santos de Paula Albuquerque. Tenho 75 anos, sou general de exército e comandante do Exército Brasileiro. Venho como personificação da defesa nacional dizer – a voz do General soava grossa, pesada e um pouco lamentosa – que hoje cumpri com o meu dever constitucional de zelar e guardar pelo bem estar da nação. Mas não fiz o meu melhor já que perdemos dois bons homens.

A multidão começou a murmurar algumas coisas e os jornalistas já tomavam nota.

– Hoje perdemos o Almirante-de-Esquadra Ribeiro, o Comandante da Marinha – continuou o General – vítima de um envenenamento, pelo que tudo indica, e o Presidente Lucas Montream, que acabou de ser encontrado dentro dos aposentos de seu gabinete. Aparentemente foi vítima do mesmo assassino.

Todos começaram a gritar por justiça querendo saber quem seria o assassino, estavam todos perplexos com que ouviam.

– A inteligência do exército descobriu tudo antes que o pior acontecesse. O assassino e vilão na verdade são duas pessoas, o Tenente-Brigadeiro-do-Ar Júlio Cavalcante de Moura Comandante da aeronáutica e a Ministra Chefe da Casa Civil Amélia Souza da Cruz. Temos os paradeiros dos dois e ambos já estão detidos. O Brigadeiro foi preso no momento que tentava decolar com um avião particular no aeroporto e a ministra, que é a cabeça de todo o esquema, está aqui na praça dentro de um Logan sedan preto de placa JHE-7634 estacionado ali próximo ao STF.

Quando o General começou a falar a Amélia sentiu um calafrio no corpo.

– Por que você fez isso? – perguntou o homem segurando a pistola.

Foi ali naquele momento que ela percebeu que tudo estava acabado. O seu plano era derrubar o governo e tirar de seu caminho todos aqueles que poderiam atrapalhar o seu golpe de estado. Matar o presidente foi a parte mais fácil, complicado foi fazer o corpo ficar escondido todo este tempo.

Seu plano central girava em torno da questão ambiental. Ela queria retirar do poder esse governo capitalista que destruía o que ela mais amava, o que ela mais tentava preservar e instaurar um governo interino baseado nos moldes indígenas.

Ela não estava preocupada com o comércio, as relações internacionais ou o bem estar da população. Estava sendo movida por um ódio cego, queria fazer o país pagar pela destruição da sua aldeia para dar espaço às madeireiras. “Todos são inimigos do estado”, pensava ela, “corruptos”.

Conseguiu o apoio do brigadeiro por um simples motivo, ele queria dinheiro, “mais um porco capitalista que estava preocupado apenas com o seu próprio umbigo”. E o próximo a aderir ao plano teria sido o senador, se ele não tivesse morrido antes.

Ela olhou para o homem pelo retrovisor com um olhar fulminante.

– Se quiser pode me matar, não me importo mais – sua voz voltou ao tom forte de sempre – aposto que no final do discurso ele vai dizer onde estamos parados e deixar que essa população enfurecida me mate.

O homem tirou a pistola do pescoço dela e retribuiu o olhar.

– Melhor você sair deste carro logo antes que te matem também – completou ela.

– O plano dele não é te matar, ele só quer que você apanhe um pouco – e saiu do carro deixando-a sozinha.

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