Ponto de Referência | João Cabral de Melo Neto

Oi pessoal!

Começamos a segunda semana de julho nos despedindo da região norte e abrindo alas para a região nordeste. Semana passada falamos sobre Nenê Macaggi, Zezé Maku e Milton Hatoum, escritores que representam alguns dos estados que compõem o Norte do nosso país. Nessa semana passaremos por escritores da região nordeste começando por João Cabral de Melo Neto para homenagear também os poetas desse Brasil.

João nasceu em Recife, em 1920, parte da infância foi vivida em engenhos da família nos municípios de São Lourenço da Mata e de Moreno. Em 1938 freqüentou o Café Lafayette, ponto de encontro de intelectuais que residiam no Recife. Dois anos depois a família transferiu-se para o Rio de Janeiro mas a mudança definitiva só foi realizada em fins de 1942, ano em que publicara o seu primeiro livro de poemas – Pedra do Sono.

Em 1945 se inscreveu no concurso para a carreira de diplomata iniciando um período de larga peregrinação por diversos países, incluindo, até mesmo, a República africana do Senegal. Em 1984 foi designado para o posto de cônsul-geral na cidade do Porto (Portugal) até que, em 1987 voltou a residir no Rio de Janeiro. Aposentou-se no cargo de embaixador, três anos depois.

Apesar de ter vivido muitos anos fora do país, a Literatura o acompanhou por todos esse tempo. Tanto que ele recebeu vários prêmios por suas obras, entre os quais: Prêmio José de Anchieta (1954); Prêmio Olavo Bilac (1955); Prêmio de Poesia do Instituto Nacional do Livro; Prêmio Jabuti; Prêmio Bienal Nestlé, pelo conjunto da Obra e Prêmio da União Brasileira de Escritores, pelo livro “Crime na Calle Relator” (1988).

A maior parte dos textos e prêmios de João Cabral foram pelas poesias, de onde podemos citar Morte e Vida Severina como a mais famosa, mas ele também se aventurou pela prosa ao publicar Juan Miró, (1952) e Considerações sobre o poeta dormindo (1941). Era um escritor muito versátil e de personalidade bastante forte. Ocupou a cadeira 37 da Academia Brasileira de Letras, no lugar de Assis Chateaubriand, por 30 anos (1969-1999).

Para finalizar esse post de homenagem a sua carreira, deixo um trecho do poema que mais gosto entre os que li:

“(…) E se somos Severinos
iguais em tudo na vida,
morremos de morte igual,
mesma morte severina:
que é a morte de que se morre
de velhice antes dos trinta,
de emboscada antes dos vinte,
de fome um pouco por dia
(de fraqueza e de doença
é que a morte Severina
ataca em qualquer idade,
e até gente não nascida).
Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.”

Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

Bem vindos ao Nordeste!

Ana.

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