Ponto de Referência | Nélida Piñon

Oi, pessoal!

Na  crítica de A Amiga Genial contei para vocês que até o dia 08/03 o blog vai fazer homenagens a escritoras do Brasil e do mundo por conta do Dia Internacional da Mulher. Começamos com Elena Ferrante e hoje é dia de falar sobre Nélida Piñon, uma veterana que foi a primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Letras.

Nélida é jornalista, filha de Galegos e seu nome é um anagrama em homenagem ao nome de seu avô, Daniel. Com vasta bibliografia suas obras foram traduzidas em mais de 30 países, e contemplam romances, contos, ensaios, discursos, crônicas e memórias. Aos 52 anos foi eleita para ocupar a cadeira 30 da ABL, no lugar de Aurélio Buarque de Holanda (Sim! O Aurélio do dicionário). Escreveu mais de 20 obras durante a carreira e também ganhou vários prêmios ao longo da vida.

“Este amor que, embora revestido de mil máscaras, sempre nos chega sob a guarda da comoção. E é ele – signo maior da nossa augusta humanidade – que ora invocamos, para que seu cetro e manto nos cubram neste momento, quando, comovidos e expectantes, veneramos todos a Língua Portuguesa – nosso espírito – irmanados uma vez mais em torno deste País chamado Brasil.”

Quando tomou posse na ABL em 1990 ela falou que se considera uma brasileira recente por seus pais terem vindo da Galícia e ela não possuir histórias familiares que se confundiam com a história do próprio país.

Ano passado, aos 80 anos, Nélida deu uma entrevista ao Jornal O Globo onde falou o motivo de não gostar do termo Literatura Feminina para se referir a literatura escrita por mulheres:

“A escrita é, por natureza, ambígua. Portanto, ela circula pelos sexos do mundo. A escrita reflete o que nós somos. E ela não aprisiona pelos gêneros. Escrever é obrigatoriamente visitar o coração do pensamento. A mulher, embora recente no mundo canônico da cultura, é herdeira de todos os saberes humanos. Ela tem um coração tão polissêmico quanto o coração masculino. Você não fala em literatura masculina; você fala em literatura, e de preferência boa literatura. Eu acho que a literatura da mulher ocupa todos os espaços da humanidade. Isto dito, o que há são características, não de mulher e de homem, mas de escritor.”

Durante a entrevista ela fala sobre vários assuntos relacionados a mulher na literatura porque estava as vésperas de participar de um evento sobre o assunto, mas ao ser perguntada sobre o movimento que divulga a leitura de mulheres ela falou uma experiência que me fez refletir bastante:

“Havia uma certa técnica, no passado, quando se perguntava a um intelectual “leu fulana?”, ele respondia: “Não li”. Na verdade, ele tinha lido, mas o fato de ter lido e ter percebido que a mulher tinha talento, fazia com que ele se estribasse, usasse como escudo não ter lido para neutralizá-la, apagá-la. Quando você diz que não leu, você apaga a mulher. Só existe quem você lê, aplaude.”

Faz pensar, não faz? Isso é um movimento simples que acontecia muito há 20/30 anos atrás, mas que vem tendo os grupos de leitura exclusivamente de escritoras como contraponto. Vocês devem lembrar que o Read Women começou em 2014 e foi ganhando força pelo mundo e hoje, no Brasil, temos dezenas de Leia Mulheres assim como outros que foram surgindo com o mesmo objetivo e nomes diferentes.

Vou deixar o link da entrevista de novo, pois ela ainda fala de um tema muito importante que é a participação masculina nesses movimentos e a opinião dela tem muito a ver com o que eu e o Paulo conversamos sobre o fato dos homens serem mais ouvidos na sociedade e terem a responsabilidade de dar voz as mulheres e outras minorias. Não é falar por elas, não confundam! É aproveitar o megafone que eles naturalmente tem, chamarem a atenção e passar o megafone para que as mulheres passem o seu recado.

E temos um orgulho danado de fazer isso anualmente com o Literatura por Mulheres, um evento onde escritoras tem espaço para falar de suas biografias, suas obras e de suas experiências no mercado literário. Por falar nisso, a enquete para escolha das participantes desse ano está no ar, já escolheu sua preferida? (Bloco 1Bloco 2)

Juízo nesse carnaval!

Ana Paula

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