Ptah – Parte Quatro

Olá, meu bom leitor.

Mais uma quinta-feira e mais um conto.

Respondendo algumas perguntas:

Sim, o conto é uma fantasia.

Sim, ele se passa em um mundo medieval.

Não, ele não faz parte do meu livro.

Como eu havia dito eu escrevi este conto para participar de um concurso literário. E estou adorando a repercussão que ele está dando.

As outras parte para quem não leu:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Tenha um ótimo ponto para ler!

Ptah – Parte Quatro

TAREFA

Após apertar a mão do homem Ptah foi teletransportado em um redemoinho de fogo para a entrada de uma caverna, estranhamente para ele foi como o piscar de um olho.

– Onde eu estou? – Ptah agora sentia um medo que nunca havia sentido antes.

– Na porta da caverna de onde eu quero que você tire o meu objeto.

– Tudo bem – Ptah estava tentando reunir toda a sua força para conseguir dar um passo a frente, tinha que demonstrar primeiramente para si mesmo que era capaz de fazer aquilo.

Assim que ele deu dois tímidos passos a frente o homem lhe chamou a atenção dizendo – Você não quer saber qual é o objeto, Ptah? – ele ria de diversão.

– Sim, claro – “pare de ser tão estupido, Ptah” pensou para si mesmo – o que é que eu tenho que pegar para você?

– Eu já disse que gosto disso em você, não é mesmo? – o homem voltou a rir – Então, eu quero um lança.

– E como é essa lança?

– Você vai saber qual escolher.

– Tem mais de uma?

– Claro que sim, ou você achou mesmo que seria tão fácil?

– Nem sei dizer o porquê que estou surpreso com isso tudo.

– Para facilitar a sua vida imagine que a lança vai ser a chave para a sua salvação.

O homem voltou a rir de satisfação enquanto Ptah andava em direção da caverna.

– Ptah! – gritou o homem.

– O que? – ele respondeu já quase na entrada.

– Você ainda não perguntou o meu nome, não se faz um trato sem se perguntar o nome garoto.

– Então qual é o seu nome?

– Edrofo. E se prepara que você vai conhecer um primo meu.

Ptah se deu o direito de não responder mais, conseguia pensar apenas em como seria ótimo conhecer um primo daquele ser. Pelo menos se algo de ruim acontecesse com ele saberia quem mandar ao inferno, isso se ele já não for de lá.

Ao entrar na caverna ele sentia o ar mais pesado e com um cheiro mais terroso. À medida que entrava mais escuro e mais difícil de respirar ficava.

De repente esbarrou em uma pilastra que surgiu bem a sua frente e em seguida sentiu o chão se mover. Fez um gesto desesperado para voltar para trás e uma parede lhe bloqueou o caminho deixando ele totalmente sozinho no escuro.

Ele só conseguia sentir as paredes, pilastras e o chão se mexerem ao seu redor lhe deixando sem nenhum ponto de referência.

Quando finalmente todo o local voltou a ficar imóvel ele sentou no chão e começou a chorar. Não sabia para onde ir, não sabia onde estava e não sabia mais como voltar.

Enquanto chorava de desespero e começou a esmurrar uma parede que encontrou pelo tato em outra extremidade que ele não sabia se era leste, oeste, norte ou sul uma porta se abriu mostrando uma claridade do outro lado.

Ptah correu como nunca na vida, foi em direção à claridade como se ela fosse a sua salvação, conseguia à medida que se aproximava sentir o ar um pouco mais limpo e quando chegou bem embaixo do portal parou.

Bem a sua frente havia um enorme salão. Tão grande que Ptah tinha a certeza que não poderia ter sido feito por mão humanas, a perfeição ali dentro era outra e as dimensões de suas colunas e os seus adornos eram tão únicos que a mente mortal de um homem não seria capaz de criar.

Todo o salão estava vazio tirando um pequeno altar bem no centro, que estava abaixo de um buraco no teto de onde vinha toda a iluminação do recinto.

– La deve estar a tal lança – disse Ptah para si mesmo buscando mais coragem para entrar. Seu plano era simples: correr, pegar a lança, correr de volta, sentar e esperar as paredes se moverem novamente até que ele visse a saída.

Quando Ptah deu os primeiros passos em direção ao centro do salão ele foi surpreendido. Regalis saiu de trás de uma das pilastras sem roupas.

– Viu o que você provocou escriba – disse ela – se você tivesse feito o que eu queria nada disso estaria acontecendo conosco.

– Você não é real – Ptah estava em choque.

Ela se aproximou dele e pode sentir o toque de pele com pele, pode sentir os seus seios roçando em sua blusa, Regalis aproximou sua boca do ouvido de Ptah – Eu apenas queria uma coisa de você, que mal isso poderia trazer ao reino? – e mordeu sua orelha.

Ptah a jogou no chão com um empurrão – Me deixe em paz! – gritou ele e correu sem olhar para trás.

Regalis tomou outra forma e se rastejou para a coluna e subiu sumindo em direção ao teto.

– Ptah! – ele sabia que voz era aquela, era seu pai, era mais uma ilusão e Ptah se forçava a não dar atenção a ele – seu bastardo, como você foge depois de tentar estuprar a Senhora Regalis? Você amaldiçoou nossa família! E eu pensando que você seria o meu legado.

– Não é verdade pai – disse Ptah para si mesmo enquanto corria e deixava algumas lágrimas escorrer – não é verdade.

Depois do pai Ptah não ouviu mais nada, apenas corria e para ele era melhor assim, mas tinha algo errado, quanto mais corria mais longe do centro da sala ele ficava. Apertou o passo em vão, ele focava o local iluminado e mais distante ele ia ficando e à medida que se distanciava o salão ia ficando menor. Em poucos minutos o salão mal comportava o corpo de Ptah.

Ele fechou os olhos e soltou um grito de pânico. Quando os abriu novamente estava deitado na cama da sua cabana, olhou para o lado e Isis dormia profundamente.

– Isis? Por favor, não seja mais uma ilusão. Isis acorde – disse ele a balançando com a voz trêmula de pânico.

Ela abriu os olhos, não eram os olhos cor de mel que ele conhecia, estes eram negros.

– Acordar para que? – disse ela com a voz da Isis – o Senhor Rord mandou me prender e fazer com que eu dormisse com todos os homens dispostos a me ter e você sabe por quê?

– Isso não é verdade – Ptah estava chorando de olhos fechados – por favor, apenas pare.

– Era a punição para o estuprador da mulher dele, já que o covarde fugiu que a sua amada sofra as consequências. No final das contas nunca seremos senhores de nós mesmos Ptah.

– Pare!

Tudo ficou em silêncio.

Ptah ficou deitado no chão frio por um longo tempo chorando e esperando, não tinha mais estrutura psicológica para nada. Ele não se importava mais com o que poderia acontecer com ele, com Isis ou com Lothus. Ptah foi destroçado por dentro, ele não era mais Ptah, ali no chão era outra pessoa que ele não sabia dizer o que era.

Nenhuma memória passava em sua mente, um nada de percepção e assim ele adormeceu.

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