Um conto sobre amor e guerra – Final

Olá, meu bom leitor.

A parte final do conto, e eu estou muito feliz em postá-la e acredito que você que vem acompanhando a história também está curioso para saber como acaba tudo.

Nunca na curta história deste blog um conto foi tão lido como esse e isso me faz ter ânimo para sempre continuar escrevendo, muito obrigado mais uma vez a você.

Apenas a título de informação, toda a história de Altenor e Liluani é uma história paralela do livro que eu escrevi (sim eu escrevi um livro, e estou com problemas com uma editora para lançá-lo). Então assim, esse conto não revela nenhuma parte da história principal do livro, ele é mais um apêndice que enriquece o universo que eu criei.

Sem mais delongas a parte final e para quem não leu os links das outras:

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Meu email: paulohcsouza@outlook.com – Skype: paulohcsouza1

Tenha um ótimo ponto para ler!

Um conto sobre amor e guerra – Final

LILUANI

– Por que o senhor cuidou dele? – perguntou Liluani ao seu pai com os olhos cheios de água – foi para que ele me mostrasse o quão poderoso pode ser o amor para depois – ela fez uma pausa e olhou para as mãos abertas vazias – retirar de mim e me deixar aqui sozinha pela eternidade?

– Os meus motivos estão além do seu entendimento minha filha – Sanvor respondeu com a maior calma que lhe cabia – se aquele homem não for capaz de colocar os homens novamente no rumo da evolução sustentável teremos um problema.

– O senhor fala sobre evolução enquanto eu lhe falo sobre o amor. Oh! Meu pai, pelos deuses e por todas as árvores de Zamer, o senhor não consegue abrir os olhos e enxergar que a sua filha está amando?

Sanvor a observou, e ali ele não via mais a sua filha, aquela garota indefesa que sempre recorria a ele quando sentia medo, ali estava vendo uma mulher formada se posicionando com independência.

– Minha linda filha – voltou a falar Sanvor enquanto passava a mão em seu rosto – o que este mortal lhe fez para despertar tão grande sentimento? Ele é apenas um rei dos homens que será esquecido na contagem das primaveras sem fim, a vida dele é um nada para nós, um sopro em comparação a nossa existência.

– Eu lhe respondo meu pai – Liluani tinha um fogo no olhar – o que este mortal lhe fez para despertar tão grande interesse na evolução humana? Ele é apenas um rei dos homens que será esquecido na contagem das primaveras sem fim, a vida deles é um nada para nós, um sopro em comparação a nossa existência. A raça humana acabará e nós continuaremos a existir, então me responda o senhor. Por que nos interessa a evolução deles?

– Já lhe disse que está fora do seu entendimento o meu interesse pela evolução deles. E já me basta esta conversa, você é uma imortal e não tem o porquê se envolver amorosamente com um mortal.

– O senhor não pode me proibir de amá-lo.

– Te proibir de amar é algo fora do meu alcance, mas posso segurá-la aqui dentro de casa pelo período de um sopro até que Altenor não esteja mais aqui.

– Você não pode fazer isso.

– Eu já o fiz. Abra os seus olhos, minha filha.

Liluani passou as semanas seguintes apreensiva. Passava os dias observando pela janela, pensando nas declarações que Altenor havia feito.

“Digo-lhe ainda mais que de hoje em diante não olharei para nenhuma mulher e que o meu coração mortal pertence a você”.

– Ele me deu o seu coração mortal – dizia ela para si mesma, enquanto passava a mão em seu cabelo – e eu em troca lhe dei apenas alguns poucos fios de cabelo, nem pude lhe dar em troca meu coração imortal.

Enquanto permanecia sentada observando o tempo passar pela janela, ela sentiu uma pontada no peito, uma dor intensa que lhe apertava o coração. Ela tentou levantar, mas foi ao chão sem conseguir manter-se em pé e então sua visão foi transportada e ela o viu.

Ela sentia o seu corpo estático, rígido e frio. As suas percepções estavam mais apuradas do que antes, ela sentia a terra entre os dedos do seu pé, e sentia os seus cabelos espalhados balançando ao vento. Então ela percebeu que seu consciente foi transportado para uma árvore que tinha um galho grosso perpendicular ao chão a uma altura de pouco mais de dois metros, e neste galho um homem se debatia sendo enforcado.

Era Altenor que morria. Ela podia sentir a dor que ele sentia, “ele me deu o seu coração” pensou ela ao ver o seu amado morrer aos poucos. De tristeza e dor ela gritou em desespero, seu grito foi como uma onda que fez toda a árvore tremer e fazer um enorme estalo e em seguida o chão tremeu. A força de querer ver o seu amado vivo foi tão grande que ela fez a madeira do galho se quebrar em milhares de lugares.

Após isso, ela voltou de imediato ao seu corpo, zonza ela levantou e se apoio em sua cômoda enquanto recuperava o equilíbrio. Correndo, Sanvor entrou no quarto de uma vez gritando de espanto.

– O que você fez?

– Eu o salvei meu pai – disse ela ainda tonta – o senhor pode me prender aqui, pode prender meu corpo, mas o meu espirito é livre para sair.

– Mas um desdobramento…

– Sim um desdobramento – Liluani agora dizia com mais força e sua tontura já havia passado – me desdobrei para uma árvore, e salvei meu galante.

– Mas um desdobramento – Sanvor estava atônito – somente é feito pelo senhor das matas e florestas que no caso sou eu.

– Vejo que as matas e florestas escolheram um novo senhor, ou melhor, senhora – Liluani o olhava agora com autoridade – a injustiça que me fez foi grande meu pai.

– Você não pode ter feito isso – Sanvor não acreditava no que ouvia.

– Eu já o fiz. Abra os seus olhos, meu pai.

Cinco dias antes do solstício de verão Liluani se reuniu com seu pai e seu irmão.

– Agora eu sou a senhora – começou ela – mas não quero lhe retirar a autoridade, meu pai.

– Esta autoridade já me foi retirada, você querendo ou não, minha filha. Não guardo mágoas de você, as árvores são mais antigas e sábias do que nós. Dizemos que somos seus senhores, mas na realidade somos apenas seus guardiões. Se elas a escolheram que exerça esta guarda com maestria.

– Seguiremos suas ordens – o irmão completou – e acreditamos que serão ordens sábias.

– Muito obrigada pelas palavras, vocês tiraram um enorme peso das minhas costas, mas vim para falar outra coisa.

Os três permaneceram calados por alguns instantes, esperando que Liluani tivesse a coragem necessária para dizer o que queria.

– Muito bem – Liluani dizia com a voz trêmula – como senhora eu posso passar o meu título a quem eu acreditar que desempenhará essa função melhor que eu. Então, meu pai, eu irei lhe repassar o dever que o senhor sempre desempenhou da melhor maneira.

– Mas minha filha por que você esta me devolvendo este dever?

– Eu escolhi o amor bem antes de me ser dado este dever, meu pai. Amanhã partirei para viver com Altenor, não poderei desempenhar dois deveres tão grandes, eu escolhi o mais nobre, eu escolhi o coração mortal que ama com a magnitude de uma eternidade.

ALTENOR

Após a vitória da batalha, houve uma enorme festa de sete dias para comemorar a vitória de Altenor e Sanvor ficou presente durante todos os dias como convidado de honra.

Após as comemorações, enquanto o rei se preparava para reparar os estragos que o touro lhe causou, Sanvor pediu uma reunião em particular.

– O que o meu mais nobre amigo deseja falar comigo? – disse Altenor.

– Quero lhe falar sobre Liluani.

– Penso que o senhor já sabe sobre o meu sentimento para com a sua filha – Altenor o olhava diretamente – eu queria reservar um dia para falar sobre ela e ver qual sua opinião se eu pedi-la em casamento.

– Liluani está morta, Altenor – Sanvor lhe contou tudo o que aconteceu desde a sua saída e como ela foi ao seu encontro antes do solstício de verão.

Altenor o olhava e chorava enquanto apertava o lenço que embrulhava os fios de cabelo da sua amada.

– Ela também me era muito cara Altenor, eu já percorri todas as matas e florestas e não a vi, não sinto mais sua imortalidade.

Os dois passaram o restante do dia e o seguinte conversando sobre Liluani. O reino ficou de luto por sete dias.

Passaram-se cinco anos depois da batalha da reconquista do reino, Altenor conseguiu transformar o reino caído e podre em prosperidade e paz, ele governou com sabedoria e justiça.

Ele seguiu as orientações de Sanvor e fez o seu reino respeitando as árvores, o reino cresceu sempre plantando três árvores para cada uma que era retirada.

Altenor governava sempre se mostrando feliz, mas lá no fundo sentia-se triste por não ter Liluani ao seu lado. Não casou com nenhuma mulher e sempre rejeitava as pretendentes e ele já havia assinado uma lei de que se ele não deixar um herdeiro seu primo em terceiro grau seria o sucessor.

Em uma noite após o solstício de verão, seis anos após a reconquista, ele saiu das comemorações para descansar e dormiu enquanto o reino festejava.

– Abra os olhos – ele ouvia novamente a voz e foi sendo guiado mais uma vez – abra os seus olhos meu galante cavaleiro – ele abriu os olhos a procura daquela que amava.

Então ele a viu sentada na sua cama lhe segurando a mão, sua pele ainda era ligeiramente mais quente que a sua.

– Ainda lhe devo uma pergunta – disse Liluani.

– O que aconteceu com você, meu amor? – Altenor perguntou sem hesitação.

– Não poderia me casar com um mortal sendo uma imortal, então fui à montanha mais longe onde vivem os sábios mais velhos para retribuir um presente que você me deu. Você me deu o seu coração mortal, então eu lhe dou o meu imortal. Dividi a minha imortalidade para nós dois e agora ambos temos a vida prolongada, mortais com um sopro de vida mais forte, mortais feitos para se amar sem limites.

E esse é o conto da criação do Reino de Raour, Altenor e Liluani se casaram e tiveram três filhos, governaram o reino por mais cento e dezessete anos e seus filhos receberam a dádiva da vida prolongada que está sendo passada aos seus descendentes. Assim foi o início a linhagem dos reis dos homens e a fundação da Cidade das Eras, a capital do reino. Liluani depois fundaria a Cidade de Nouza fazendo como centro o Templo Verde que seria uma homenagem a seu pai Sanvor.

O nome de Raour foi escolhido pela rainha Liluani que em sua língua significa: amor imortal.

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